PT/ENG
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5/3/2026
By/Por:
Daniel Caetano
Gilberto Gil

Desde os primeiros anos de sua carreira até os dias atuais, Gilberto Gil ocupa um lugar de grande destaque na música e na cultura brasileira. Em parceria com Caetano Veloso, foi um dos líderes do Tropicalismo - movimento musical de vanguarda do final da década de 1960 que, buscando atualizar a utopia antropofágica de Oswald de Andrade e dialogando com outros movimentos de vanguarda como o Cinema Novo, propôs uma nova perspectiva das relações da arte brasileira com os meios de comunicação em massa, a chamada indústria cultural. Já neste momento inicial de sua carreira Gil envolveu-se com o trabalho em trilhas sonoras, compondo para filmes como Viramundo (1968), de Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), de Luís Rosemberg Filho, e Brasil Ano 2000 (1969), de Walter Lima Júnior.

Ainda no final de 1968, Gil e Caetano Veloso foram presos, acusados pelo regime militar que comandava o país de terem desrespeitado a bandeira brasileira. Após terem ficado presos em quartéis por cerca de dois meses e permanecido mais quatro meses em prisão domiciliar em Salvador, sem direito a julgamento civil, a dupla exilou-se em Londres ao longo dos anos seguintes. Neste período fora do país, Gil e Veloso seguiram convivendo com alguns dos principais cineastas em atividade no país, como o cinemanovista Glauber Rocha e os marginalistas Rogério Sganzerla e Julio Bressane. Para Sganzerla, usando apenas a voz e o violão Gil fez uma contagiante trilha sonora para Copacabana Mon Amour (1970), produção da lendária empresa Belair (que, criada por Sganzerla e Bressane, rodou seis longas-metragens em três meses) – décadas mais tarde, a gravação desta trilha sonora foi recuperada e lançada integralmente.

Gil foi ainda ator e personagem de Corações a Mil (1981), misto de ficção e documentário de turnê realizado por Jom Tob Azulay. Já consagrado internacionalmente, Gil compôs canções para diversos filmes como Um trem para as estrelas (1987) e Veja esta canção (1994), ambos de Diegues, e Eu Tu Eles (2000), de Andrucha Waddington, em que a sua gravação da principal canção do filme chegou às paradas de sucesso. Posteriormente, Waddington realizou um documentário intitulado Viva São João! (2002) enfocando uma viagem de Gil por diversas cidades no Nordeste com um show dedicado a resgatar velhas canções de forró, ritmo típico da região.

Em 2002 Gilberto Gil tornou-se Ministro da Cultura do governo do presidente Lula, propondo políticas públicas para o fortalecimento do setor cultural inéditas até então e obtendo resultados notáveis.

Egberto Gismonti

O diálogo entre os elementos do universo dito popular e os do erudito é constante no cenário da música brasileira e tem um dos seus pontos altos na carreira de Egberto Gismonti, cujo trabalho ao longo dos anos transitou livremente entre diversos ritmos e estilos.

Nascido em uma família de músicos no ano de 1947 no interior do Estado do Rio de Janeiro, Gismonti começou a estudar piano já aos seis anos de idade. Ao longo de sua trajetória tornou-se um multi-instrumentista notável tanto nos teclados como em instrumentos de corda (realizando gravações em violões de seis, oito, dez, doze e catorze cordas) e também em diversos tipos de flautas e kalimbas. Ainda jovem, aprofundou-se em estudos de composição e orquestração com professores no Brasil e na França. Anos mais tarde, dedicou-se a estudar a música de comunidades indígenas, chegando a residir por alguns meses com os Yawalapitis, no Centro-Oeste brasileiro.

Gismonti apresentou publicamente pela primeira vez uma composição sua num festival de música em 1968 e já em 1969 lançou seu primeiro disco. No mesmo ano assinou sua primeira trilha sonora feita para cinema, a do filme A Penúltima Donzela (1969), comédia dirigida por Fernando Amaral com a estrela Adriana Prieto. Desde então, além de lançar discos regularmente, compôs as trilhas sonoras de mais de duas dezenas de filmes e também de um grande número de séries de TV, balés e peças de teatro.

Nesta obra vasta - que transita da música erudita e orquestral ao trio de jazz, passando por diversos estilos populares brasileiros - destacam-se os trabalhos em filmes como o documentário Raoni (lançado em 1978 , este filme sobre o importante líder indígena dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e Luís Carlos Saldanha concorreu ao Oscar de melhor documentário do ano), Avaeté – semente da vingança (1985, dirigido por Zelito Viana) e Kuarup (1989, dirigido por Ruy Guerra) – trilhas que se destacam pela sonoridade dos instrumentos de origem indígena.

Também foi memorável a trilha feita para a série de TV O Pagador de Promessas (1988, dirigida por Tizuka Yamasaki para a Rede Globo), em que Gismonti utilizou composições clássicas de Heitor Villa-Lobos – que já havia recriado no disco Trem Caipira, lançado em 1985, cujas gravações foram parcialmente usadas na série. Destaca-se também a parceria com o diretor Ruy Guerra, para quem musicou, além do já citado Kuarup, também A Bela Palomera (1988) e Estorvo (2000).

Mais recentemente compôs as trilhas sonoras de Tempos de Paz (2009) e Chico Xavier (2010), ambos dirigidos por Daniel Filho. Além destas já mencionadas, tomou parte em trilhas sonoras de filmes de diversos países, tais como o alemão Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, dirigido por Michael Haneke ainda no início da carreira), o dinamarquês Planetens spejle (1992, dirigido por Jytte Rex) e o argentino El Viaje (1992, dirigido por Fernando Solanas).

Gilberto Gil

Desde os primeiros anos de sua carreira até os dias atuais, Gilberto Gil ocupa um lugar de grande destaque na música e na cultura brasileira. Em parceria com Caetano Veloso, foi um dos líderes do Tropicalismo - movimento musical de vanguarda do final da década de 1960 que, buscando atualizar a utopia antropofágica de Oswald de Andrade e dialogando com outros movimentos de vanguarda como o Cinema Novo, propôs uma nova perspectiva das relações da arte brasileira com os meios de comunicação em massa, a chamada indústria cultural. Já neste momento inicial de sua carreira Gil envolveu-se com o trabalho em trilhas sonoras, compondo para filmes como Viramundo (1968), de Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), de Luís Rosemberg Filho, e Brasil Ano 2000 (1969), de Walter Lima Júnior.

Ainda no final de 1968, Gil e Caetano Veloso foram presos, acusados pelo regime militar que comandava o país de terem desrespeitado a bandeira brasileira. Após terem ficado presos em quartéis por cerca de dois meses e permanecido mais quatro meses em prisão domiciliar em Salvador, sem direito a julgamento civil, a dupla exilou-se em Londres ao longo dos anos seguintes. Neste período fora do país, Gil e Veloso seguiram convivendo com alguns dos principais cineastas em atividade no país, como o cinemanovista Glauber Rocha e os marginalistas Rogério Sganzerla e Julio Bressane. Para Sganzerla, usando apenas a voz e o violão Gil fez uma contagiante trilha sonora para Copacabana Mon Amour (1970), produção da lendária empresa Belair (que, criada por Sganzerla e Bressane, rodou seis longas-metragens em três meses) – décadas mais tarde, a gravação desta trilha sonora foi recuperada e lançada integralmente.

Gil foi ainda ator e personagem de Corações a Mil (1981), misto de ficção e documentário de turnê realizado por Jom Tob Azulay. Já consagrado internacionalmente, Gil compôs canções para diversos filmes como Um trem para as estrelas (1987) e Veja esta canção (1994), ambos de Diegues, e Eu Tu Eles (2000), de Andrucha Waddington, em que a sua gravação da principal canção do filme chegou às paradas de sucesso. Posteriormente, Waddington realizou um documentário intitulado Viva São João! (2002) enfocando uma viagem de Gil por diversas cidades no Nordeste com um show dedicado a resgatar velhas canções de forró, ritmo típico da região.

Em 2002 Gilberto Gil tornou-se Ministro da Cultura do governo do presidente Lula, propondo políticas públicas para o fortalecimento do setor cultural inéditas até então e obtendo resultados notáveis.

Egberto Gismonti

O diálogo entre os elementos do universo dito popular e os do erudito é constante no cenário da música brasileira e tem um dos seus pontos altos na carreira de Egberto Gismonti, cujo trabalho ao longo dos anos transitou livremente entre diversos ritmos e estilos.

Nascido em uma família de músicos no ano de 1947 no interior do Estado do Rio de Janeiro, Gismonti começou a estudar piano já aos seis anos de idade. Ao longo de sua trajetória tornou-se um multi-instrumentista notável tanto nos teclados como em instrumentos de corda (realizando gravações em violões de seis, oito, dez, doze e catorze cordas) e também em diversos tipos de flautas e kalimbas. Ainda jovem, aprofundou-se em estudos de composição e orquestração com professores no Brasil e na França. Anos mais tarde, dedicou-se a estudar a música de comunidades indígenas, chegando a residir por alguns meses com os Yawalapitis, no Centro-Oeste brasileiro.

Gismonti apresentou publicamente pela primeira vez uma composição sua num festival de música em 1968 e já em 1969 lançou seu primeiro disco. No mesmo ano assinou sua primeira trilha sonora feita para cinema, a do filme A Penúltima Donzela (1969), comédia dirigida por Fernando Amaral com a estrela Adriana Prieto. Desde então, além de lançar discos regularmente, compôs as trilhas sonoras de mais de duas dezenas de filmes e também de um grande número de séries de TV, balés e peças de teatro.

Nesta obra vasta - que transita da música erudita e orquestral ao trio de jazz, passando por diversos estilos populares brasileiros - destacam-se os trabalhos em filmes como o documentário Raoni (lançado em 1978 , este filme sobre o importante líder indígena dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e Luís Carlos Saldanha concorreu ao Oscar de melhor documentário do ano), Avaeté – semente da vingança (1985, dirigido por Zelito Viana) e Kuarup (1989, dirigido por Ruy Guerra) – trilhas que se destacam pela sonoridade dos instrumentos de origem indígena.

Também foi memorável a trilha feita para a série de TV O Pagador de Promessas (1988, dirigida por Tizuka Yamasaki para a Rede Globo), em que Gismonti utilizou composições clássicas de Heitor Villa-Lobos – que já havia recriado no disco Trem Caipira, lançado em 1985, cujas gravações foram parcialmente usadas na série. Destaca-se também a parceria com o diretor Ruy Guerra, para quem musicou, além do já citado Kuarup, também A Bela Palomera (1988) e Estorvo (2000).

Mais recentemente compôs as trilhas sonoras de Tempos de Paz (2009) e Chico Xavier (2010), ambos dirigidos por Daniel Filho. Além destas já mencionadas, tomou parte em trilhas sonoras de filmes de diversos países, tais como o alemão Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, dirigido por Michael Haneke ainda no início da carreira), o dinamarquês Planetens spejle (1992, dirigido por Jytte Rex) e o argentino El Viaje (1992, dirigido por Fernando Solanas).

Gilberto Gil

From the first years of his career to the present day, Gilberto Gil occupies a place of great prominence in Brazilian music and culture. In partnership with Caetano Veloso, he was one of the leaders of Tropicalismo - an avant-garde musical movement of the late 1960s that, seeking to update the anthropophagic utopia of Oswald de Andrade and dialoguing with other avant-garde movements such as Cinema Novo, proposed a new perspective on the relations of Brazilian art with the mass media, the so-called cultural industry. Already at this initial moment of his career Gil became involved with work on soundtracks, composing for films such as Viramundo (1968), by Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), by Luís Rosemberg Filho, and Brasil Ano 2000 (1969), by Walter Lima Júnior.

Still in late 1968, Gil and Caetano Veloso were arrested, accused by the military regime that commanded the country of having disrespected the Brazilian flag. After having been held in military barracks for about two months and remaining a further four months under house arrest in Salvador, without the right to a civil trial, the duo went into exile in London over the following years. In this period outside the country, Gil and Veloso continued to associate with some of the main filmmakers active in the country, such as the Cinema Novo filmmaker Glauber Rocha and the marginalists Rogério Sganzerla and Julio Bressane. For Sganzerla, using only voice and guitar, Gil made a contagious soundtrack for Copacabana Mon Amour (1970), a production of the legendary company Belair (which, created by Sganzerla and Bressane, shot six feature films in three months) – decades later, the recording of this soundtrack was recovered and released in full.

Gil was also an actor and a character in Corações a Mil (1981), a mix of fiction and a tour documentary made by Jom Tob Azulay. Already internationally acclaimed, Gil composed songs for various films such as Um trem para as estrelas (1987) and Veja esta canção (1994), both by Diegues, and Eu Tu Eles (2000), by Andrucha Waddington, in which his recording of the film’s main song reached the hit charts. Later, Waddington made a documentary entitled Viva São João! (2002) focusing on a trip by Gil through various cities in the Northeast with a show dedicated to recovering old forró songs, a rhythm typical of the region.

Egberto Gismonti

The dialogue between the elements of the so-called popular universe and those of the erudite is constant in the landscape of Brazilian music and has one of its high points in the career of Egberto Gismonti, whose work over the years moved freely among diverse rhythms and styles.

Born into a family of musicians in the year 1947 in the interior of the State of Rio de Janeiro, Gismonti began to study piano at the age of six. Over the course of his trajectory he became a notable multi-instrumentalist both on keyboards and on string instruments (making recordings on six-, eight-, ten-, twelve-, and fourteen-string guitars) and also on various types of flutes and kalimbas. Still young, he deepened his studies of composition and orchestration with teachers in Brazil and in France. Years later, he dedicated himself to studying the music of Indigenous communities, even residing for some months with the Yawalapitis, in the Brazilian Center-West.

Gismonti publicly presented one of his compositions for the first time at a music festival in 1968 and already in 1969 released his first record. In the same year he signed his first soundtrack made for cinema, that of the film A Penúltima Donzela (1969), a comedy directed by Fernando Amaral starring Adriana Prieto. Since then, in addition to releasing records regularly, he composed the soundtracks for more than two dozen films and also for a large number of TV series, ballets, and stage plays.

In this vast body of work - which moves from erudite and orchestral music to the jazz trio, passing through various Brazilian popular styles - the works on films such as the documentary Raoni (released in 1978, this film about the important Indigenous leader directed by Jean-Pierre Dutilleux and Luís Carlos Saldanha competed for the Oscar for best documentary of the year), Avaeté – semente da vingança (1985, directed by Zelito Viana) and Kuarup (1989, directed by Ruy Guerra) stand out – soundtracks that stand out for the sonority of instruments of Indigenous origin.

Also memorable was the soundtrack made for the TV series O Pagador de Promessas (1988, directed by Tizuka Yamasaki for Rede Globo), in which Gismonti used classical compositions by Heitor Villa-Lobos – which he had already recreated on the record Trem Caipira, released in 1985, whose recordings were partially used in the series. Also noteworthy is the partnership with the director Ruy Guerra, for whom he composed the music, in addition to the already cited Kuarup, also A Bela Palomera (1988) and Estorvo (2000).

More recently he composed the soundtracks for Tempos de Paz (2009) and Chico Xavier (2010), both directed by Daniel Filho. In addition to those already mentioned, he took part in soundtracks for films from various countries, such as the German Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, directed by Michael Haneke still at the beginning of his career), the Danish Planetens spejle (1992, directed by Jytte Rex) and the Argentine El Viaje (1992, directed by Fernando Solanas).

Gilberto Gil

From the first years of his career to the present day, Gilberto Gil occupies a place of great prominence in Brazilian music and culture. In partnership with Caetano Veloso, he was one of the leaders of Tropicalismo - an avant-garde musical movement of the late 1960s that, seeking to update the anthropophagic utopia of Oswald de Andrade and dialoguing with other avant-garde movements such as Cinema Novo, proposed a new perspective on the relations of Brazilian art with the mass media, the so-called cultural industry. Already at this initial moment of his career Gil became involved with work on soundtracks, composing for films such as Viramundo (1968), by Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), by Luís Rosemberg Filho, and Brasil Ano 2000 (1969), by Walter Lima Júnior.

Still in late 1968, Gil and Caetano Veloso were arrested, accused by the military regime that commanded the country of having disrespected the Brazilian flag. After having been held in military barracks for about two months and remaining a further four months under house arrest in Salvador, without the right to a civil trial, the duo went into exile in London over the following years. In this period outside the country, Gil and Veloso continued to associate with some of the main filmmakers active in the country, such as the Cinema Novo filmmaker Glauber Rocha and the marginalists Rogério Sganzerla and Julio Bressane. For Sganzerla, using only voice and guitar, Gil made a contagious soundtrack for Copacabana Mon Amour (1970), a production of the legendary company Belair (which, created by Sganzerla and Bressane, shot six feature films in three months) – decades later, the recording of this soundtrack was recovered and released in full.

Gil was also an actor and a character in Corações a Mil (1981), a mix of fiction and a tour documentary made by Jom Tob Azulay. Already internationally acclaimed, Gil composed songs for various films such as Um trem para as estrelas (1987) and Veja esta canção (1994), both by Diegues, and Eu Tu Eles (2000), by Andrucha Waddington, in which his recording of the film’s main song reached the hit charts. Later, Waddington made a documentary entitled Viva São João! (2002) focusing on a trip by Gil through various cities in the Northeast with a show dedicated to recovering old forró songs, a rhythm typical of the region.

Egberto Gismonti

The dialogue between the elements of the so-called popular universe and those of the erudite is constant in the landscape of Brazilian music and has one of its high points in the career of Egberto Gismonti, whose work over the years moved freely among diverse rhythms and styles.

Born into a family of musicians in the year 1947 in the interior of the State of Rio de Janeiro, Gismonti began to study piano at the age of six. Over the course of his trajectory he became a notable multi-instrumentalist both on keyboards and on string instruments (making recordings on six-, eight-, ten-, twelve-, and fourteen-string guitars) and also on various types of flutes and kalimbas. Still young, he deepened his studies of composition and orchestration with teachers in Brazil and in France. Years later, he dedicated himself to studying the music of Indigenous communities, even residing for some months with the Yawalapitis, in the Brazilian Center-West.

Gismonti publicly presented one of his compositions for the first time at a music festival in 1968 and already in 1969 released his first record. In the same year he signed his first soundtrack made for cinema, that of the film A Penúltima Donzela (1969), a comedy directed by Fernando Amaral starring Adriana Prieto. Since then, in addition to releasing records regularly, he composed the soundtracks for more than two dozen films and also for a large number of TV series, ballets, and stage plays.

In this vast body of work - which moves from erudite and orchestral music to the jazz trio, passing through various Brazilian popular styles - the works on films such as the documentary Raoni (released in 1978, this film about the important Indigenous leader directed by Jean-Pierre Dutilleux and Luís Carlos Saldanha competed for the Oscar for best documentary of the year), Avaeté – semente da vingança (1985, directed by Zelito Viana) and Kuarup (1989, directed by Ruy Guerra) stand out – soundtracks that stand out for the sonority of instruments of Indigenous origin.

Also memorable was the soundtrack made for the TV series O Pagador de Promessas (1988, directed by Tizuka Yamasaki for Rede Globo), in which Gismonti used classical compositions by Heitor Villa-Lobos – which he had already recreated on the record Trem Caipira, released in 1985, whose recordings were partially used in the series. Also noteworthy is the partnership with the director Ruy Guerra, for whom he composed the music, in addition to the already cited Kuarup, also A Bela Palomera (1988) and Estorvo (2000).

More recently he composed the soundtracks for Tempos de Paz (2009) and Chico Xavier (2010), both directed by Daniel Filho. In addition to those already mentioned, he took part in soundtracks for films from various countries, such as the German Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, directed by Michael Haneke still at the beginning of his career), the Danish Planetens spejle (1992, directed by Jytte Rex) and the Argentine El Viaje (1992, directed by Fernando Solanas).

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Daniel Caetano
Gilberto Gil

Desde os primeiros anos de sua carreira até os dias atuais, Gilberto Gil ocupa um lugar de grande destaque na música e na cultura brasileira. Em parceria com Caetano Veloso, foi um dos líderes do Tropicalismo - movimento musical de vanguarda do final da década de 1960 que, buscando atualizar a utopia antropofágica de Oswald de Andrade e dialogando com outros movimentos de vanguarda como o Cinema Novo, propôs uma nova perspectiva das relações da arte brasileira com os meios de comunicação em massa, a chamada indústria cultural. Já neste momento inicial de sua carreira Gil envolveu-se com o trabalho em trilhas sonoras, compondo para filmes como Viramundo (1968), de Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), de Luís Rosemberg Filho, e Brasil Ano 2000 (1969), de Walter Lima Júnior.

Ainda no final de 1968, Gil e Caetano Veloso foram presos, acusados pelo regime militar que comandava o país de terem desrespeitado a bandeira brasileira. Após terem ficado presos em quartéis por cerca de dois meses e permanecido mais quatro meses em prisão domiciliar em Salvador, sem direito a julgamento civil, a dupla exilou-se em Londres ao longo dos anos seguintes. Neste período fora do país, Gil e Veloso seguiram convivendo com alguns dos principais cineastas em atividade no país, como o cinemanovista Glauber Rocha e os marginalistas Rogério Sganzerla e Julio Bressane. Para Sganzerla, usando apenas a voz e o violão Gil fez uma contagiante trilha sonora para Copacabana Mon Amour (1970), produção da lendária empresa Belair (que, criada por Sganzerla e Bressane, rodou seis longas-metragens em três meses) – décadas mais tarde, a gravação desta trilha sonora foi recuperada e lançada integralmente.

Gil foi ainda ator e personagem de Corações a Mil (1981), misto de ficção e documentário de turnê realizado por Jom Tob Azulay. Já consagrado internacionalmente, Gil compôs canções para diversos filmes como Um trem para as estrelas (1987) e Veja esta canção (1994), ambos de Diegues, e Eu Tu Eles (2000), de Andrucha Waddington, em que a sua gravação da principal canção do filme chegou às paradas de sucesso. Posteriormente, Waddington realizou um documentário intitulado Viva São João! (2002) enfocando uma viagem de Gil por diversas cidades no Nordeste com um show dedicado a resgatar velhas canções de forró, ritmo típico da região.

Em 2002 Gilberto Gil tornou-se Ministro da Cultura do governo do presidente Lula, propondo políticas públicas para o fortalecimento do setor cultural inéditas até então e obtendo resultados notáveis.

Egberto Gismonti

O diálogo entre os elementos do universo dito popular e os do erudito é constante no cenário da música brasileira e tem um dos seus pontos altos na carreira de Egberto Gismonti, cujo trabalho ao longo dos anos transitou livremente entre diversos ritmos e estilos.

Nascido em uma família de músicos no ano de 1947 no interior do Estado do Rio de Janeiro, Gismonti começou a estudar piano já aos seis anos de idade. Ao longo de sua trajetória tornou-se um multi-instrumentista notável tanto nos teclados como em instrumentos de corda (realizando gravações em violões de seis, oito, dez, doze e catorze cordas) e também em diversos tipos de flautas e kalimbas. Ainda jovem, aprofundou-se em estudos de composição e orquestração com professores no Brasil e na França. Anos mais tarde, dedicou-se a estudar a música de comunidades indígenas, chegando a residir por alguns meses com os Yawalapitis, no Centro-Oeste brasileiro.

Gismonti apresentou publicamente pela primeira vez uma composição sua num festival de música em 1968 e já em 1969 lançou seu primeiro disco. No mesmo ano assinou sua primeira trilha sonora feita para cinema, a do filme A Penúltima Donzela (1969), comédia dirigida por Fernando Amaral com a estrela Adriana Prieto. Desde então, além de lançar discos regularmente, compôs as trilhas sonoras de mais de duas dezenas de filmes e também de um grande número de séries de TV, balés e peças de teatro.

Nesta obra vasta - que transita da música erudita e orquestral ao trio de jazz, passando por diversos estilos populares brasileiros - destacam-se os trabalhos em filmes como o documentário Raoni (lançado em 1978 , este filme sobre o importante líder indígena dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e Luís Carlos Saldanha concorreu ao Oscar de melhor documentário do ano), Avaeté – semente da vingança (1985, dirigido por Zelito Viana) e Kuarup (1989, dirigido por Ruy Guerra) – trilhas que se destacam pela sonoridade dos instrumentos de origem indígena.

Também foi memorável a trilha feita para a série de TV O Pagador de Promessas (1988, dirigida por Tizuka Yamasaki para a Rede Globo), em que Gismonti utilizou composições clássicas de Heitor Villa-Lobos – que já havia recriado no disco Trem Caipira, lançado em 1985, cujas gravações foram parcialmente usadas na série. Destaca-se também a parceria com o diretor Ruy Guerra, para quem musicou, além do já citado Kuarup, também A Bela Palomera (1988) e Estorvo (2000).

Mais recentemente compôs as trilhas sonoras de Tempos de Paz (2009) e Chico Xavier (2010), ambos dirigidos por Daniel Filho. Além destas já mencionadas, tomou parte em trilhas sonoras de filmes de diversos países, tais como o alemão Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, dirigido por Michael Haneke ainda no início da carreira), o dinamarquês Planetens spejle (1992, dirigido por Jytte Rex) e o argentino El Viaje (1992, dirigido por Fernando Solanas).

Gilberto Gil

Desde os primeiros anos de sua carreira até os dias atuais, Gilberto Gil ocupa um lugar de grande destaque na música e na cultura brasileira. Em parceria com Caetano Veloso, foi um dos líderes do Tropicalismo - movimento musical de vanguarda do final da década de 1960 que, buscando atualizar a utopia antropofágica de Oswald de Andrade e dialogando com outros movimentos de vanguarda como o Cinema Novo, propôs uma nova perspectiva das relações da arte brasileira com os meios de comunicação em massa, a chamada indústria cultural. Já neste momento inicial de sua carreira Gil envolveu-se com o trabalho em trilhas sonoras, compondo para filmes como Viramundo (1968), de Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), de Luís Rosemberg Filho, e Brasil Ano 2000 (1969), de Walter Lima Júnior.

Ainda no final de 1968, Gil e Caetano Veloso foram presos, acusados pelo regime militar que comandava o país de terem desrespeitado a bandeira brasileira. Após terem ficado presos em quartéis por cerca de dois meses e permanecido mais quatro meses em prisão domiciliar em Salvador, sem direito a julgamento civil, a dupla exilou-se em Londres ao longo dos anos seguintes. Neste período fora do país, Gil e Veloso seguiram convivendo com alguns dos principais cineastas em atividade no país, como o cinemanovista Glauber Rocha e os marginalistas Rogério Sganzerla e Julio Bressane. Para Sganzerla, usando apenas a voz e o violão Gil fez uma contagiante trilha sonora para Copacabana Mon Amour (1970), produção da lendária empresa Belair (que, criada por Sganzerla e Bressane, rodou seis longas-metragens em três meses) – décadas mais tarde, a gravação desta trilha sonora foi recuperada e lançada integralmente.

Gil foi ainda ator e personagem de Corações a Mil (1981), misto de ficção e documentário de turnê realizado por Jom Tob Azulay. Já consagrado internacionalmente, Gil compôs canções para diversos filmes como Um trem para as estrelas (1987) e Veja esta canção (1994), ambos de Diegues, e Eu Tu Eles (2000), de Andrucha Waddington, em que a sua gravação da principal canção do filme chegou às paradas de sucesso. Posteriormente, Waddington realizou um documentário intitulado Viva São João! (2002) enfocando uma viagem de Gil por diversas cidades no Nordeste com um show dedicado a resgatar velhas canções de forró, ritmo típico da região.

Em 2002 Gilberto Gil tornou-se Ministro da Cultura do governo do presidente Lula, propondo políticas públicas para o fortalecimento do setor cultural inéditas até então e obtendo resultados notáveis.

Egberto Gismonti

O diálogo entre os elementos do universo dito popular e os do erudito é constante no cenário da música brasileira e tem um dos seus pontos altos na carreira de Egberto Gismonti, cujo trabalho ao longo dos anos transitou livremente entre diversos ritmos e estilos.

Nascido em uma família de músicos no ano de 1947 no interior do Estado do Rio de Janeiro, Gismonti começou a estudar piano já aos seis anos de idade. Ao longo de sua trajetória tornou-se um multi-instrumentista notável tanto nos teclados como em instrumentos de corda (realizando gravações em violões de seis, oito, dez, doze e catorze cordas) e também em diversos tipos de flautas e kalimbas. Ainda jovem, aprofundou-se em estudos de composição e orquestração com professores no Brasil e na França. Anos mais tarde, dedicou-se a estudar a música de comunidades indígenas, chegando a residir por alguns meses com os Yawalapitis, no Centro-Oeste brasileiro.

Gismonti apresentou publicamente pela primeira vez uma composição sua num festival de música em 1968 e já em 1969 lançou seu primeiro disco. No mesmo ano assinou sua primeira trilha sonora feita para cinema, a do filme A Penúltima Donzela (1969), comédia dirigida por Fernando Amaral com a estrela Adriana Prieto. Desde então, além de lançar discos regularmente, compôs as trilhas sonoras de mais de duas dezenas de filmes e também de um grande número de séries de TV, balés e peças de teatro.

Nesta obra vasta - que transita da música erudita e orquestral ao trio de jazz, passando por diversos estilos populares brasileiros - destacam-se os trabalhos em filmes como o documentário Raoni (lançado em 1978 , este filme sobre o importante líder indígena dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e Luís Carlos Saldanha concorreu ao Oscar de melhor documentário do ano), Avaeté – semente da vingança (1985, dirigido por Zelito Viana) e Kuarup (1989, dirigido por Ruy Guerra) – trilhas que se destacam pela sonoridade dos instrumentos de origem indígena.

Também foi memorável a trilha feita para a série de TV O Pagador de Promessas (1988, dirigida por Tizuka Yamasaki para a Rede Globo), em que Gismonti utilizou composições clássicas de Heitor Villa-Lobos – que já havia recriado no disco Trem Caipira, lançado em 1985, cujas gravações foram parcialmente usadas na série. Destaca-se também a parceria com o diretor Ruy Guerra, para quem musicou, além do já citado Kuarup, também A Bela Palomera (1988) e Estorvo (2000).

Mais recentemente compôs as trilhas sonoras de Tempos de Paz (2009) e Chico Xavier (2010), ambos dirigidos por Daniel Filho. Além destas já mencionadas, tomou parte em trilhas sonoras de filmes de diversos países, tais como o alemão Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, dirigido por Michael Haneke ainda no início da carreira), o dinamarquês Planetens spejle (1992, dirigido por Jytte Rex) e o argentino El Viaje (1992, dirigido por Fernando Solanas).

Gilberto Gil

From the first years of his career to the present day, Gilberto Gil occupies a place of great prominence in Brazilian music and culture. In partnership with Caetano Veloso, he was one of the leaders of Tropicalismo - an avant-garde musical movement of the late 1960s that, seeking to update the anthropophagic utopia of Oswald de Andrade and dialoguing with other avant-garde movements such as Cinema Novo, proposed a new perspective on the relations of Brazilian art with the mass media, the so-called cultural industry. Already at this initial moment of his career Gil became involved with work on soundtracks, composing for films such as Viramundo (1968), by Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), by Luís Rosemberg Filho, and Brasil Ano 2000 (1969), by Walter Lima Júnior.

Still in late 1968, Gil and Caetano Veloso were arrested, accused by the military regime that commanded the country of having disrespected the Brazilian flag. After having been held in military barracks for about two months and remaining a further four months under house arrest in Salvador, without the right to a civil trial, the duo went into exile in London over the following years. In this period outside the country, Gil and Veloso continued to associate with some of the main filmmakers active in the country, such as the Cinema Novo filmmaker Glauber Rocha and the marginalists Rogério Sganzerla and Julio Bressane. For Sganzerla, using only voice and guitar, Gil made a contagious soundtrack for Copacabana Mon Amour (1970), a production of the legendary company Belair (which, created by Sganzerla and Bressane, shot six feature films in three months) – decades later, the recording of this soundtrack was recovered and released in full.

Gil was also an actor and a character in Corações a Mil (1981), a mix of fiction and a tour documentary made by Jom Tob Azulay. Already internationally acclaimed, Gil composed songs for various films such as Um trem para as estrelas (1987) and Veja esta canção (1994), both by Diegues, and Eu Tu Eles (2000), by Andrucha Waddington, in which his recording of the film’s main song reached the hit charts. Later, Waddington made a documentary entitled Viva São João! (2002) focusing on a trip by Gil through various cities in the Northeast with a show dedicated to recovering old forró songs, a rhythm typical of the region.

Egberto Gismonti

The dialogue between the elements of the so-called popular universe and those of the erudite is constant in the landscape of Brazilian music and has one of its high points in the career of Egberto Gismonti, whose work over the years moved freely among diverse rhythms and styles.

Born into a family of musicians in the year 1947 in the interior of the State of Rio de Janeiro, Gismonti began to study piano at the age of six. Over the course of his trajectory he became a notable multi-instrumentalist both on keyboards and on string instruments (making recordings on six-, eight-, ten-, twelve-, and fourteen-string guitars) and also on various types of flutes and kalimbas. Still young, he deepened his studies of composition and orchestration with teachers in Brazil and in France. Years later, he dedicated himself to studying the music of Indigenous communities, even residing for some months with the Yawalapitis, in the Brazilian Center-West.

Gismonti publicly presented one of his compositions for the first time at a music festival in 1968 and already in 1969 released his first record. In the same year he signed his first soundtrack made for cinema, that of the film A Penúltima Donzela (1969), a comedy directed by Fernando Amaral starring Adriana Prieto. Since then, in addition to releasing records regularly, he composed the soundtracks for more than two dozen films and also for a large number of TV series, ballets, and stage plays.

In this vast body of work - which moves from erudite and orchestral music to the jazz trio, passing through various Brazilian popular styles - the works on films such as the documentary Raoni (released in 1978, this film about the important Indigenous leader directed by Jean-Pierre Dutilleux and Luís Carlos Saldanha competed for the Oscar for best documentary of the year), Avaeté – semente da vingança (1985, directed by Zelito Viana) and Kuarup (1989, directed by Ruy Guerra) stand out – soundtracks that stand out for the sonority of instruments of Indigenous origin.

Also memorable was the soundtrack made for the TV series O Pagador de Promessas (1988, directed by Tizuka Yamasaki for Rede Globo), in which Gismonti used classical compositions by Heitor Villa-Lobos – which he had already recreated on the record Trem Caipira, released in 1985, whose recordings were partially used in the series. Also noteworthy is the partnership with the director Ruy Guerra, for whom he composed the music, in addition to the already cited Kuarup, also A Bela Palomera (1988) and Estorvo (2000).

More recently he composed the soundtracks for Tempos de Paz (2009) and Chico Xavier (2010), both directed by Daniel Filho. In addition to those already mentioned, he took part in soundtracks for films from various countries, such as the German Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, directed by Michael Haneke still at the beginning of his career), the Danish Planetens spejle (1992, directed by Jytte Rex) and the Argentine El Viaje (1992, directed by Fernando Solanas).

Gilberto Gil

From the first years of his career to the present day, Gilberto Gil occupies a place of great prominence in Brazilian music and culture. In partnership with Caetano Veloso, he was one of the leaders of Tropicalismo - an avant-garde musical movement of the late 1960s that, seeking to update the anthropophagic utopia of Oswald de Andrade and dialoguing with other avant-garde movements such as Cinema Novo, proposed a new perspective on the relations of Brazilian art with the mass media, the so-called cultural industry. Already at this initial moment of his career Gil became involved with work on soundtracks, composing for films such as Viramundo (1968), by Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), by Luís Rosemberg Filho, and Brasil Ano 2000 (1969), by Walter Lima Júnior.

Still in late 1968, Gil and Caetano Veloso were arrested, accused by the military regime that commanded the country of having disrespected the Brazilian flag. After having been held in military barracks for about two months and remaining a further four months under house arrest in Salvador, without the right to a civil trial, the duo went into exile in London over the following years. In this period outside the country, Gil and Veloso continued to associate with some of the main filmmakers active in the country, such as the Cinema Novo filmmaker Glauber Rocha and the marginalists Rogério Sganzerla and Julio Bressane. For Sganzerla, using only voice and guitar, Gil made a contagious soundtrack for Copacabana Mon Amour (1970), a production of the legendary company Belair (which, created by Sganzerla and Bressane, shot six feature films in three months) – decades later, the recording of this soundtrack was recovered and released in full.

Gil was also an actor and a character in Corações a Mil (1981), a mix of fiction and a tour documentary made by Jom Tob Azulay. Already internationally acclaimed, Gil composed songs for various films such as Um trem para as estrelas (1987) and Veja esta canção (1994), both by Diegues, and Eu Tu Eles (2000), by Andrucha Waddington, in which his recording of the film’s main song reached the hit charts. Later, Waddington made a documentary entitled Viva São João! (2002) focusing on a trip by Gil through various cities in the Northeast with a show dedicated to recovering old forró songs, a rhythm typical of the region.

Egberto Gismonti

The dialogue between the elements of the so-called popular universe and those of the erudite is constant in the landscape of Brazilian music and has one of its high points in the career of Egberto Gismonti, whose work over the years moved freely among diverse rhythms and styles.

Born into a family of musicians in the year 1947 in the interior of the State of Rio de Janeiro, Gismonti began to study piano at the age of six. Over the course of his trajectory he became a notable multi-instrumentalist both on keyboards and on string instruments (making recordings on six-, eight-, ten-, twelve-, and fourteen-string guitars) and also on various types of flutes and kalimbas. Still young, he deepened his studies of composition and orchestration with teachers in Brazil and in France. Years later, he dedicated himself to studying the music of Indigenous communities, even residing for some months with the Yawalapitis, in the Brazilian Center-West.

Gismonti publicly presented one of his compositions for the first time at a music festival in 1968 and already in 1969 released his first record. In the same year he signed his first soundtrack made for cinema, that of the film A Penúltima Donzela (1969), a comedy directed by Fernando Amaral starring Adriana Prieto. Since then, in addition to releasing records regularly, he composed the soundtracks for more than two dozen films and also for a large number of TV series, ballets, and stage plays.

In this vast body of work - which moves from erudite and orchestral music to the jazz trio, passing through various Brazilian popular styles - the works on films such as the documentary Raoni (released in 1978, this film about the important Indigenous leader directed by Jean-Pierre Dutilleux and Luís Carlos Saldanha competed for the Oscar for best documentary of the year), Avaeté – semente da vingança (1985, directed by Zelito Viana) and Kuarup (1989, directed by Ruy Guerra) stand out – soundtracks that stand out for the sonority of instruments of Indigenous origin.

Also memorable was the soundtrack made for the TV series O Pagador de Promessas (1988, directed by Tizuka Yamasaki for Rede Globo), in which Gismonti used classical compositions by Heitor Villa-Lobos – which he had already recreated on the record Trem Caipira, released in 1985, whose recordings were partially used in the series. Also noteworthy is the partnership with the director Ruy Guerra, for whom he composed the music, in addition to the already cited Kuarup, also A Bela Palomera (1988) and Estorvo (2000).

More recently he composed the soundtracks for Tempos de Paz (2009) and Chico Xavier (2010), both directed by Daniel Filho. In addition to those already mentioned, he took part in soundtracks for films from various countries, such as the German Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, directed by Michael Haneke still at the beginning of his career), the Danish Planetens spejle (1992, directed by Jytte Rex) and the Argentine El Viaje (1992, directed by Fernando Solanas).

PT/ENG
PT/ENG
5/3/2026
By/Por:
Daniel Caetano
Gilberto Gil

Desde os primeiros anos de sua carreira até os dias atuais, Gilberto Gil ocupa um lugar de grande destaque na música e na cultura brasileira. Em parceria com Caetano Veloso, foi um dos líderes do Tropicalismo - movimento musical de vanguarda do final da década de 1960 que, buscando atualizar a utopia antropofágica de Oswald de Andrade e dialogando com outros movimentos de vanguarda como o Cinema Novo, propôs uma nova perspectiva das relações da arte brasileira com os meios de comunicação em massa, a chamada indústria cultural. Já neste momento inicial de sua carreira Gil envolveu-se com o trabalho em trilhas sonoras, compondo para filmes como Viramundo (1968), de Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), de Luís Rosemberg Filho, e Brasil Ano 2000 (1969), de Walter Lima Júnior.

Ainda no final de 1968, Gil e Caetano Veloso foram presos, acusados pelo regime militar que comandava o país de terem desrespeitado a bandeira brasileira. Após terem ficado presos em quartéis por cerca de dois meses e permanecido mais quatro meses em prisão domiciliar em Salvador, sem direito a julgamento civil, a dupla exilou-se em Londres ao longo dos anos seguintes. Neste período fora do país, Gil e Veloso seguiram convivendo com alguns dos principais cineastas em atividade no país, como o cinemanovista Glauber Rocha e os marginalistas Rogério Sganzerla e Julio Bressane. Para Sganzerla, usando apenas a voz e o violão Gil fez uma contagiante trilha sonora para Copacabana Mon Amour (1970), produção da lendária empresa Belair (que, criada por Sganzerla e Bressane, rodou seis longas-metragens em três meses) – décadas mais tarde, a gravação desta trilha sonora foi recuperada e lançada integralmente.

Gil foi ainda ator e personagem de Corações a Mil (1981), misto de ficção e documentário de turnê realizado por Jom Tob Azulay. Já consagrado internacionalmente, Gil compôs canções para diversos filmes como Um trem para as estrelas (1987) e Veja esta canção (1994), ambos de Diegues, e Eu Tu Eles (2000), de Andrucha Waddington, em que a sua gravação da principal canção do filme chegou às paradas de sucesso. Posteriormente, Waddington realizou um documentário intitulado Viva São João! (2002) enfocando uma viagem de Gil por diversas cidades no Nordeste com um show dedicado a resgatar velhas canções de forró, ritmo típico da região.

Em 2002 Gilberto Gil tornou-se Ministro da Cultura do governo do presidente Lula, propondo políticas públicas para o fortalecimento do setor cultural inéditas até então e obtendo resultados notáveis.

Egberto Gismonti

O diálogo entre os elementos do universo dito popular e os do erudito é constante no cenário da música brasileira e tem um dos seus pontos altos na carreira de Egberto Gismonti, cujo trabalho ao longo dos anos transitou livremente entre diversos ritmos e estilos.

Nascido em uma família de músicos no ano de 1947 no interior do Estado do Rio de Janeiro, Gismonti começou a estudar piano já aos seis anos de idade. Ao longo de sua trajetória tornou-se um multi-instrumentista notável tanto nos teclados como em instrumentos de corda (realizando gravações em violões de seis, oito, dez, doze e catorze cordas) e também em diversos tipos de flautas e kalimbas. Ainda jovem, aprofundou-se em estudos de composição e orquestração com professores no Brasil e na França. Anos mais tarde, dedicou-se a estudar a música de comunidades indígenas, chegando a residir por alguns meses com os Yawalapitis, no Centro-Oeste brasileiro.

Gismonti apresentou publicamente pela primeira vez uma composição sua num festival de música em 1968 e já em 1969 lançou seu primeiro disco. No mesmo ano assinou sua primeira trilha sonora feita para cinema, a do filme A Penúltima Donzela (1969), comédia dirigida por Fernando Amaral com a estrela Adriana Prieto. Desde então, além de lançar discos regularmente, compôs as trilhas sonoras de mais de duas dezenas de filmes e também de um grande número de séries de TV, balés e peças de teatro.

Nesta obra vasta - que transita da música erudita e orquestral ao trio de jazz, passando por diversos estilos populares brasileiros - destacam-se os trabalhos em filmes como o documentário Raoni (lançado em 1978 , este filme sobre o importante líder indígena dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e Luís Carlos Saldanha concorreu ao Oscar de melhor documentário do ano), Avaeté – semente da vingança (1985, dirigido por Zelito Viana) e Kuarup (1989, dirigido por Ruy Guerra) – trilhas que se destacam pela sonoridade dos instrumentos de origem indígena.

Também foi memorável a trilha feita para a série de TV O Pagador de Promessas (1988, dirigida por Tizuka Yamasaki para a Rede Globo), em que Gismonti utilizou composições clássicas de Heitor Villa-Lobos – que já havia recriado no disco Trem Caipira, lançado em 1985, cujas gravações foram parcialmente usadas na série. Destaca-se também a parceria com o diretor Ruy Guerra, para quem musicou, além do já citado Kuarup, também A Bela Palomera (1988) e Estorvo (2000).

Mais recentemente compôs as trilhas sonoras de Tempos de Paz (2009) e Chico Xavier (2010), ambos dirigidos por Daniel Filho. Além destas já mencionadas, tomou parte em trilhas sonoras de filmes de diversos países, tais como o alemão Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, dirigido por Michael Haneke ainda no início da carreira), o dinamarquês Planetens spejle (1992, dirigido por Jytte Rex) e o argentino El Viaje (1992, dirigido por Fernando Solanas).

Gilberto Gil

Desde os primeiros anos de sua carreira até os dias atuais, Gilberto Gil ocupa um lugar de grande destaque na música e na cultura brasileira. Em parceria com Caetano Veloso, foi um dos líderes do Tropicalismo - movimento musical de vanguarda do final da década de 1960 que, buscando atualizar a utopia antropofágica de Oswald de Andrade e dialogando com outros movimentos de vanguarda como o Cinema Novo, propôs uma nova perspectiva das relações da arte brasileira com os meios de comunicação em massa, a chamada indústria cultural. Já neste momento inicial de sua carreira Gil envolveu-se com o trabalho em trilhas sonoras, compondo para filmes como Viramundo (1968), de Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), de Luís Rosemberg Filho, e Brasil Ano 2000 (1969), de Walter Lima Júnior.

Ainda no final de 1968, Gil e Caetano Veloso foram presos, acusados pelo regime militar que comandava o país de terem desrespeitado a bandeira brasileira. Após terem ficado presos em quartéis por cerca de dois meses e permanecido mais quatro meses em prisão domiciliar em Salvador, sem direito a julgamento civil, a dupla exilou-se em Londres ao longo dos anos seguintes. Neste período fora do país, Gil e Veloso seguiram convivendo com alguns dos principais cineastas em atividade no país, como o cinemanovista Glauber Rocha e os marginalistas Rogério Sganzerla e Julio Bressane. Para Sganzerla, usando apenas a voz e o violão Gil fez uma contagiante trilha sonora para Copacabana Mon Amour (1970), produção da lendária empresa Belair (que, criada por Sganzerla e Bressane, rodou seis longas-metragens em três meses) – décadas mais tarde, a gravação desta trilha sonora foi recuperada e lançada integralmente.

Gil foi ainda ator e personagem de Corações a Mil (1981), misto de ficção e documentário de turnê realizado por Jom Tob Azulay. Já consagrado internacionalmente, Gil compôs canções para diversos filmes como Um trem para as estrelas (1987) e Veja esta canção (1994), ambos de Diegues, e Eu Tu Eles (2000), de Andrucha Waddington, em que a sua gravação da principal canção do filme chegou às paradas de sucesso. Posteriormente, Waddington realizou um documentário intitulado Viva São João! (2002) enfocando uma viagem de Gil por diversas cidades no Nordeste com um show dedicado a resgatar velhas canções de forró, ritmo típico da região.

Em 2002 Gilberto Gil tornou-se Ministro da Cultura do governo do presidente Lula, propondo políticas públicas para o fortalecimento do setor cultural inéditas até então e obtendo resultados notáveis.

Egberto Gismonti

O diálogo entre os elementos do universo dito popular e os do erudito é constante no cenário da música brasileira e tem um dos seus pontos altos na carreira de Egberto Gismonti, cujo trabalho ao longo dos anos transitou livremente entre diversos ritmos e estilos.

Nascido em uma família de músicos no ano de 1947 no interior do Estado do Rio de Janeiro, Gismonti começou a estudar piano já aos seis anos de idade. Ao longo de sua trajetória tornou-se um multi-instrumentista notável tanto nos teclados como em instrumentos de corda (realizando gravações em violões de seis, oito, dez, doze e catorze cordas) e também em diversos tipos de flautas e kalimbas. Ainda jovem, aprofundou-se em estudos de composição e orquestração com professores no Brasil e na França. Anos mais tarde, dedicou-se a estudar a música de comunidades indígenas, chegando a residir por alguns meses com os Yawalapitis, no Centro-Oeste brasileiro.

Gismonti apresentou publicamente pela primeira vez uma composição sua num festival de música em 1968 e já em 1969 lançou seu primeiro disco. No mesmo ano assinou sua primeira trilha sonora feita para cinema, a do filme A Penúltima Donzela (1969), comédia dirigida por Fernando Amaral com a estrela Adriana Prieto. Desde então, além de lançar discos regularmente, compôs as trilhas sonoras de mais de duas dezenas de filmes e também de um grande número de séries de TV, balés e peças de teatro.

Nesta obra vasta - que transita da música erudita e orquestral ao trio de jazz, passando por diversos estilos populares brasileiros - destacam-se os trabalhos em filmes como o documentário Raoni (lançado em 1978 , este filme sobre o importante líder indígena dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e Luís Carlos Saldanha concorreu ao Oscar de melhor documentário do ano), Avaeté – semente da vingança (1985, dirigido por Zelito Viana) e Kuarup (1989, dirigido por Ruy Guerra) – trilhas que se destacam pela sonoridade dos instrumentos de origem indígena.

Também foi memorável a trilha feita para a série de TV O Pagador de Promessas (1988, dirigida por Tizuka Yamasaki para a Rede Globo), em que Gismonti utilizou composições clássicas de Heitor Villa-Lobos – que já havia recriado no disco Trem Caipira, lançado em 1985, cujas gravações foram parcialmente usadas na série. Destaca-se também a parceria com o diretor Ruy Guerra, para quem musicou, além do já citado Kuarup, também A Bela Palomera (1988) e Estorvo (2000).

Mais recentemente compôs as trilhas sonoras de Tempos de Paz (2009) e Chico Xavier (2010), ambos dirigidos por Daniel Filho. Além destas já mencionadas, tomou parte em trilhas sonoras de filmes de diversos países, tais como o alemão Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, dirigido por Michael Haneke ainda no início da carreira), o dinamarquês Planetens spejle (1992, dirigido por Jytte Rex) e o argentino El Viaje (1992, dirigido por Fernando Solanas).

Gilberto Gil

From the first years of his career to the present day, Gilberto Gil occupies a place of great prominence in Brazilian music and culture. In partnership with Caetano Veloso, he was one of the leaders of Tropicalismo - an avant-garde musical movement of the late 1960s that, seeking to update the anthropophagic utopia of Oswald de Andrade and dialoguing with other avant-garde movements such as Cinema Novo, proposed a new perspective on the relations of Brazilian art with the mass media, the so-called cultural industry. Already at this initial moment of his career Gil became involved with work on soundtracks, composing for films such as Viramundo (1968), by Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), by Luís Rosemberg Filho, and Brasil Ano 2000 (1969), by Walter Lima Júnior.

Still in late 1968, Gil and Caetano Veloso were arrested, accused by the military regime that commanded the country of having disrespected the Brazilian flag. After having been held in military barracks for about two months and remaining a further four months under house arrest in Salvador, without the right to a civil trial, the duo went into exile in London over the following years. In this period outside the country, Gil and Veloso continued to associate with some of the main filmmakers active in the country, such as the Cinema Novo filmmaker Glauber Rocha and the marginalists Rogério Sganzerla and Julio Bressane. For Sganzerla, using only voice and guitar, Gil made a contagious soundtrack for Copacabana Mon Amour (1970), a production of the legendary company Belair (which, created by Sganzerla and Bressane, shot six feature films in three months) – decades later, the recording of this soundtrack was recovered and released in full.

Gil was also an actor and a character in Corações a Mil (1981), a mix of fiction and a tour documentary made by Jom Tob Azulay. Already internationally acclaimed, Gil composed songs for various films such as Um trem para as estrelas (1987) and Veja esta canção (1994), both by Diegues, and Eu Tu Eles (2000), by Andrucha Waddington, in which his recording of the film’s main song reached the hit charts. Later, Waddington made a documentary entitled Viva São João! (2002) focusing on a trip by Gil through various cities in the Northeast with a show dedicated to recovering old forró songs, a rhythm typical of the region.

Egberto Gismonti

The dialogue between the elements of the so-called popular universe and those of the erudite is constant in the landscape of Brazilian music and has one of its high points in the career of Egberto Gismonti, whose work over the years moved freely among diverse rhythms and styles.

Born into a family of musicians in the year 1947 in the interior of the State of Rio de Janeiro, Gismonti began to study piano at the age of six. Over the course of his trajectory he became a notable multi-instrumentalist both on keyboards and on string instruments (making recordings on six-, eight-, ten-, twelve-, and fourteen-string guitars) and also on various types of flutes and kalimbas. Still young, he deepened his studies of composition and orchestration with teachers in Brazil and in France. Years later, he dedicated himself to studying the music of Indigenous communities, even residing for some months with the Yawalapitis, in the Brazilian Center-West.

Gismonti publicly presented one of his compositions for the first time at a music festival in 1968 and already in 1969 released his first record. In the same year he signed his first soundtrack made for cinema, that of the film A Penúltima Donzela (1969), a comedy directed by Fernando Amaral starring Adriana Prieto. Since then, in addition to releasing records regularly, he composed the soundtracks for more than two dozen films and also for a large number of TV series, ballets, and stage plays.

In this vast body of work - which moves from erudite and orchestral music to the jazz trio, passing through various Brazilian popular styles - the works on films such as the documentary Raoni (released in 1978, this film about the important Indigenous leader directed by Jean-Pierre Dutilleux and Luís Carlos Saldanha competed for the Oscar for best documentary of the year), Avaeté – semente da vingança (1985, directed by Zelito Viana) and Kuarup (1989, directed by Ruy Guerra) stand out – soundtracks that stand out for the sonority of instruments of Indigenous origin.

Also memorable was the soundtrack made for the TV series O Pagador de Promessas (1988, directed by Tizuka Yamasaki for Rede Globo), in which Gismonti used classical compositions by Heitor Villa-Lobos – which he had already recreated on the record Trem Caipira, released in 1985, whose recordings were partially used in the series. Also noteworthy is the partnership with the director Ruy Guerra, for whom he composed the music, in addition to the already cited Kuarup, also A Bela Palomera (1988) and Estorvo (2000).

More recently he composed the soundtracks for Tempos de Paz (2009) and Chico Xavier (2010), both directed by Daniel Filho. In addition to those already mentioned, he took part in soundtracks for films from various countries, such as the German Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, directed by Michael Haneke still at the beginning of his career), the Danish Planetens spejle (1992, directed by Jytte Rex) and the Argentine El Viaje (1992, directed by Fernando Solanas).

Gilberto Gil

From the first years of his career to the present day, Gilberto Gil occupies a place of great prominence in Brazilian music and culture. In partnership with Caetano Veloso, he was one of the leaders of Tropicalismo - an avant-garde musical movement of the late 1960s that, seeking to update the anthropophagic utopia of Oswald de Andrade and dialoguing with other avant-garde movements such as Cinema Novo, proposed a new perspective on the relations of Brazilian art with the mass media, the so-called cultural industry. Already at this initial moment of his career Gil became involved with work on soundtracks, composing for films such as Viramundo (1968), by Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), by Luís Rosemberg Filho, and Brasil Ano 2000 (1969), by Walter Lima Júnior.

Still in late 1968, Gil and Caetano Veloso were arrested, accused by the military regime that commanded the country of having disrespected the Brazilian flag. After having been held in military barracks for about two months and remaining a further four months under house arrest in Salvador, without the right to a civil trial, the duo went into exile in London over the following years. In this period outside the country, Gil and Veloso continued to associate with some of the main filmmakers active in the country, such as the Cinema Novo filmmaker Glauber Rocha and the marginalists Rogério Sganzerla and Julio Bressane. For Sganzerla, using only voice and guitar, Gil made a contagious soundtrack for Copacabana Mon Amour (1970), a production of the legendary company Belair (which, created by Sganzerla and Bressane, shot six feature films in three months) – decades later, the recording of this soundtrack was recovered and released in full.

Gil was also an actor and a character in Corações a Mil (1981), a mix of fiction and a tour documentary made by Jom Tob Azulay. Already internationally acclaimed, Gil composed songs for various films such as Um trem para as estrelas (1987) and Veja esta canção (1994), both by Diegues, and Eu Tu Eles (2000), by Andrucha Waddington, in which his recording of the film’s main song reached the hit charts. Later, Waddington made a documentary entitled Viva São João! (2002) focusing on a trip by Gil through various cities in the Northeast with a show dedicated to recovering old forró songs, a rhythm typical of the region.

Egberto Gismonti

The dialogue between the elements of the so-called popular universe and those of the erudite is constant in the landscape of Brazilian music and has one of its high points in the career of Egberto Gismonti, whose work over the years moved freely among diverse rhythms and styles.

Born into a family of musicians in the year 1947 in the interior of the State of Rio de Janeiro, Gismonti began to study piano at the age of six. Over the course of his trajectory he became a notable multi-instrumentalist both on keyboards and on string instruments (making recordings on six-, eight-, ten-, twelve-, and fourteen-string guitars) and also on various types of flutes and kalimbas. Still young, he deepened his studies of composition and orchestration with teachers in Brazil and in France. Years later, he dedicated himself to studying the music of Indigenous communities, even residing for some months with the Yawalapitis, in the Brazilian Center-West.

Gismonti publicly presented one of his compositions for the first time at a music festival in 1968 and already in 1969 released his first record. In the same year he signed his first soundtrack made for cinema, that of the film A Penúltima Donzela (1969), a comedy directed by Fernando Amaral starring Adriana Prieto. Since then, in addition to releasing records regularly, he composed the soundtracks for more than two dozen films and also for a large number of TV series, ballets, and stage plays.

In this vast body of work - which moves from erudite and orchestral music to the jazz trio, passing through various Brazilian popular styles - the works on films such as the documentary Raoni (released in 1978, this film about the important Indigenous leader directed by Jean-Pierre Dutilleux and Luís Carlos Saldanha competed for the Oscar for best documentary of the year), Avaeté – semente da vingança (1985, directed by Zelito Viana) and Kuarup (1989, directed by Ruy Guerra) stand out – soundtracks that stand out for the sonority of instruments of Indigenous origin.

Also memorable was the soundtrack made for the TV series O Pagador de Promessas (1988, directed by Tizuka Yamasaki for Rede Globo), in which Gismonti used classical compositions by Heitor Villa-Lobos – which he had already recreated on the record Trem Caipira, released in 1985, whose recordings were partially used in the series. Also noteworthy is the partnership with the director Ruy Guerra, for whom he composed the music, in addition to the already cited Kuarup, also A Bela Palomera (1988) and Estorvo (2000).

More recently he composed the soundtracks for Tempos de Paz (2009) and Chico Xavier (2010), both directed by Daniel Filho. In addition to those already mentioned, he took part in soundtracks for films from various countries, such as the German Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, directed by Michael Haneke still at the beginning of his career), the Danish Planetens spejle (1992, directed by Jytte Rex) and the Argentine El Viaje (1992, directed by Fernando Solanas).

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5/3/2026
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Daniel Caetano
Gilberto Gil

Desde os primeiros anos de sua carreira até os dias atuais, Gilberto Gil ocupa um lugar de grande destaque na música e na cultura brasileira. Em parceria com Caetano Veloso, foi um dos líderes do Tropicalismo - movimento musical de vanguarda do final da década de 1960 que, buscando atualizar a utopia antropofágica de Oswald de Andrade e dialogando com outros movimentos de vanguarda como o Cinema Novo, propôs uma nova perspectiva das relações da arte brasileira com os meios de comunicação em massa, a chamada indústria cultural. Já neste momento inicial de sua carreira Gil envolveu-se com o trabalho em trilhas sonoras, compondo para filmes como Viramundo (1968), de Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), de Luís Rosemberg Filho, e Brasil Ano 2000 (1969), de Walter Lima Júnior.

Ainda no final de 1968, Gil e Caetano Veloso foram presos, acusados pelo regime militar que comandava o país de terem desrespeitado a bandeira brasileira. Após terem ficado presos em quartéis por cerca de dois meses e permanecido mais quatro meses em prisão domiciliar em Salvador, sem direito a julgamento civil, a dupla exilou-se em Londres ao longo dos anos seguintes. Neste período fora do país, Gil e Veloso seguiram convivendo com alguns dos principais cineastas em atividade no país, como o cinemanovista Glauber Rocha e os marginalistas Rogério Sganzerla e Julio Bressane. Para Sganzerla, usando apenas a voz e o violão Gil fez uma contagiante trilha sonora para Copacabana Mon Amour (1970), produção da lendária empresa Belair (que, criada por Sganzerla e Bressane, rodou seis longas-metragens em três meses) – décadas mais tarde, a gravação desta trilha sonora foi recuperada e lançada integralmente.

Gil foi ainda ator e personagem de Corações a Mil (1981), misto de ficção e documentário de turnê realizado por Jom Tob Azulay. Já consagrado internacionalmente, Gil compôs canções para diversos filmes como Um trem para as estrelas (1987) e Veja esta canção (1994), ambos de Diegues, e Eu Tu Eles (2000), de Andrucha Waddington, em que a sua gravação da principal canção do filme chegou às paradas de sucesso. Posteriormente, Waddington realizou um documentário intitulado Viva São João! (2002) enfocando uma viagem de Gil por diversas cidades no Nordeste com um show dedicado a resgatar velhas canções de forró, ritmo típico da região.

Em 2002 Gilberto Gil tornou-se Ministro da Cultura do governo do presidente Lula, propondo políticas públicas para o fortalecimento do setor cultural inéditas até então e obtendo resultados notáveis.

Egberto Gismonti

O diálogo entre os elementos do universo dito popular e os do erudito é constante no cenário da música brasileira e tem um dos seus pontos altos na carreira de Egberto Gismonti, cujo trabalho ao longo dos anos transitou livremente entre diversos ritmos e estilos.

Nascido em uma família de músicos no ano de 1947 no interior do Estado do Rio de Janeiro, Gismonti começou a estudar piano já aos seis anos de idade. Ao longo de sua trajetória tornou-se um multi-instrumentista notável tanto nos teclados como em instrumentos de corda (realizando gravações em violões de seis, oito, dez, doze e catorze cordas) e também em diversos tipos de flautas e kalimbas. Ainda jovem, aprofundou-se em estudos de composição e orquestração com professores no Brasil e na França. Anos mais tarde, dedicou-se a estudar a música de comunidades indígenas, chegando a residir por alguns meses com os Yawalapitis, no Centro-Oeste brasileiro.

Gismonti apresentou publicamente pela primeira vez uma composição sua num festival de música em 1968 e já em 1969 lançou seu primeiro disco. No mesmo ano assinou sua primeira trilha sonora feita para cinema, a do filme A Penúltima Donzela (1969), comédia dirigida por Fernando Amaral com a estrela Adriana Prieto. Desde então, além de lançar discos regularmente, compôs as trilhas sonoras de mais de duas dezenas de filmes e também de um grande número de séries de TV, balés e peças de teatro.

Nesta obra vasta - que transita da música erudita e orquestral ao trio de jazz, passando por diversos estilos populares brasileiros - destacam-se os trabalhos em filmes como o documentário Raoni (lançado em 1978 , este filme sobre o importante líder indígena dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e Luís Carlos Saldanha concorreu ao Oscar de melhor documentário do ano), Avaeté – semente da vingança (1985, dirigido por Zelito Viana) e Kuarup (1989, dirigido por Ruy Guerra) – trilhas que se destacam pela sonoridade dos instrumentos de origem indígena.

Também foi memorável a trilha feita para a série de TV O Pagador de Promessas (1988, dirigida por Tizuka Yamasaki para a Rede Globo), em que Gismonti utilizou composições clássicas de Heitor Villa-Lobos – que já havia recriado no disco Trem Caipira, lançado em 1985, cujas gravações foram parcialmente usadas na série. Destaca-se também a parceria com o diretor Ruy Guerra, para quem musicou, além do já citado Kuarup, também A Bela Palomera (1988) e Estorvo (2000).

Mais recentemente compôs as trilhas sonoras de Tempos de Paz (2009) e Chico Xavier (2010), ambos dirigidos por Daniel Filho. Além destas já mencionadas, tomou parte em trilhas sonoras de filmes de diversos países, tais como o alemão Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, dirigido por Michael Haneke ainda no início da carreira), o dinamarquês Planetens spejle (1992, dirigido por Jytte Rex) e o argentino El Viaje (1992, dirigido por Fernando Solanas).

Gilberto Gil

Desde os primeiros anos de sua carreira até os dias atuais, Gilberto Gil ocupa um lugar de grande destaque na música e na cultura brasileira. Em parceria com Caetano Veloso, foi um dos líderes do Tropicalismo - movimento musical de vanguarda do final da década de 1960 que, buscando atualizar a utopia antropofágica de Oswald de Andrade e dialogando com outros movimentos de vanguarda como o Cinema Novo, propôs uma nova perspectiva das relações da arte brasileira com os meios de comunicação em massa, a chamada indústria cultural. Já neste momento inicial de sua carreira Gil envolveu-se com o trabalho em trilhas sonoras, compondo para filmes como Viramundo (1968), de Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), de Luís Rosemberg Filho, e Brasil Ano 2000 (1969), de Walter Lima Júnior.

Ainda no final de 1968, Gil e Caetano Veloso foram presos, acusados pelo regime militar que comandava o país de terem desrespeitado a bandeira brasileira. Após terem ficado presos em quartéis por cerca de dois meses e permanecido mais quatro meses em prisão domiciliar em Salvador, sem direito a julgamento civil, a dupla exilou-se em Londres ao longo dos anos seguintes. Neste período fora do país, Gil e Veloso seguiram convivendo com alguns dos principais cineastas em atividade no país, como o cinemanovista Glauber Rocha e os marginalistas Rogério Sganzerla e Julio Bressane. Para Sganzerla, usando apenas a voz e o violão Gil fez uma contagiante trilha sonora para Copacabana Mon Amour (1970), produção da lendária empresa Belair (que, criada por Sganzerla e Bressane, rodou seis longas-metragens em três meses) – décadas mais tarde, a gravação desta trilha sonora foi recuperada e lançada integralmente.

Gil foi ainda ator e personagem de Corações a Mil (1981), misto de ficção e documentário de turnê realizado por Jom Tob Azulay. Já consagrado internacionalmente, Gil compôs canções para diversos filmes como Um trem para as estrelas (1987) e Veja esta canção (1994), ambos de Diegues, e Eu Tu Eles (2000), de Andrucha Waddington, em que a sua gravação da principal canção do filme chegou às paradas de sucesso. Posteriormente, Waddington realizou um documentário intitulado Viva São João! (2002) enfocando uma viagem de Gil por diversas cidades no Nordeste com um show dedicado a resgatar velhas canções de forró, ritmo típico da região.

Em 2002 Gilberto Gil tornou-se Ministro da Cultura do governo do presidente Lula, propondo políticas públicas para o fortalecimento do setor cultural inéditas até então e obtendo resultados notáveis.

Egberto Gismonti

O diálogo entre os elementos do universo dito popular e os do erudito é constante no cenário da música brasileira e tem um dos seus pontos altos na carreira de Egberto Gismonti, cujo trabalho ao longo dos anos transitou livremente entre diversos ritmos e estilos.

Nascido em uma família de músicos no ano de 1947 no interior do Estado do Rio de Janeiro, Gismonti começou a estudar piano já aos seis anos de idade. Ao longo de sua trajetória tornou-se um multi-instrumentista notável tanto nos teclados como em instrumentos de corda (realizando gravações em violões de seis, oito, dez, doze e catorze cordas) e também em diversos tipos de flautas e kalimbas. Ainda jovem, aprofundou-se em estudos de composição e orquestração com professores no Brasil e na França. Anos mais tarde, dedicou-se a estudar a música de comunidades indígenas, chegando a residir por alguns meses com os Yawalapitis, no Centro-Oeste brasileiro.

Gismonti apresentou publicamente pela primeira vez uma composição sua num festival de música em 1968 e já em 1969 lançou seu primeiro disco. No mesmo ano assinou sua primeira trilha sonora feita para cinema, a do filme A Penúltima Donzela (1969), comédia dirigida por Fernando Amaral com a estrela Adriana Prieto. Desde então, além de lançar discos regularmente, compôs as trilhas sonoras de mais de duas dezenas de filmes e também de um grande número de séries de TV, balés e peças de teatro.

Nesta obra vasta - que transita da música erudita e orquestral ao trio de jazz, passando por diversos estilos populares brasileiros - destacam-se os trabalhos em filmes como o documentário Raoni (lançado em 1978 , este filme sobre o importante líder indígena dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e Luís Carlos Saldanha concorreu ao Oscar de melhor documentário do ano), Avaeté – semente da vingança (1985, dirigido por Zelito Viana) e Kuarup (1989, dirigido por Ruy Guerra) – trilhas que se destacam pela sonoridade dos instrumentos de origem indígena.

Também foi memorável a trilha feita para a série de TV O Pagador de Promessas (1988, dirigida por Tizuka Yamasaki para a Rede Globo), em que Gismonti utilizou composições clássicas de Heitor Villa-Lobos – que já havia recriado no disco Trem Caipira, lançado em 1985, cujas gravações foram parcialmente usadas na série. Destaca-se também a parceria com o diretor Ruy Guerra, para quem musicou, além do já citado Kuarup, também A Bela Palomera (1988) e Estorvo (2000).

Mais recentemente compôs as trilhas sonoras de Tempos de Paz (2009) e Chico Xavier (2010), ambos dirigidos por Daniel Filho. Além destas já mencionadas, tomou parte em trilhas sonoras de filmes de diversos países, tais como o alemão Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, dirigido por Michael Haneke ainda no início da carreira), o dinamarquês Planetens spejle (1992, dirigido por Jytte Rex) e o argentino El Viaje (1992, dirigido por Fernando Solanas).

Gilberto Gil

From the first years of his career to the present day, Gilberto Gil occupies a place of great prominence in Brazilian music and culture. In partnership with Caetano Veloso, he was one of the leaders of Tropicalismo - an avant-garde musical movement of the late 1960s that, seeking to update the anthropophagic utopia of Oswald de Andrade and dialoguing with other avant-garde movements such as Cinema Novo, proposed a new perspective on the relations of Brazilian art with the mass media, the so-called cultural industry. Already at this initial moment of his career Gil became involved with work on soundtracks, composing for films such as Viramundo (1968), by Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), by Luís Rosemberg Filho, and Brasil Ano 2000 (1969), by Walter Lima Júnior.

Still in late 1968, Gil and Caetano Veloso were arrested, accused by the military regime that commanded the country of having disrespected the Brazilian flag. After having been held in military barracks for about two months and remaining a further four months under house arrest in Salvador, without the right to a civil trial, the duo went into exile in London over the following years. In this period outside the country, Gil and Veloso continued to associate with some of the main filmmakers active in the country, such as the Cinema Novo filmmaker Glauber Rocha and the marginalists Rogério Sganzerla and Julio Bressane. For Sganzerla, using only voice and guitar, Gil made a contagious soundtrack for Copacabana Mon Amour (1970), a production of the legendary company Belair (which, created by Sganzerla and Bressane, shot six feature films in three months) – decades later, the recording of this soundtrack was recovered and released in full.

Gil was also an actor and a character in Corações a Mil (1981), a mix of fiction and a tour documentary made by Jom Tob Azulay. Already internationally acclaimed, Gil composed songs for various films such as Um trem para as estrelas (1987) and Veja esta canção (1994), both by Diegues, and Eu Tu Eles (2000), by Andrucha Waddington, in which his recording of the film’s main song reached the hit charts. Later, Waddington made a documentary entitled Viva São João! (2002) focusing on a trip by Gil through various cities in the Northeast with a show dedicated to recovering old forró songs, a rhythm typical of the region.

Egberto Gismonti

The dialogue between the elements of the so-called popular universe and those of the erudite is constant in the landscape of Brazilian music and has one of its high points in the career of Egberto Gismonti, whose work over the years moved freely among diverse rhythms and styles.

Born into a family of musicians in the year 1947 in the interior of the State of Rio de Janeiro, Gismonti began to study piano at the age of six. Over the course of his trajectory he became a notable multi-instrumentalist both on keyboards and on string instruments (making recordings on six-, eight-, ten-, twelve-, and fourteen-string guitars) and also on various types of flutes and kalimbas. Still young, he deepened his studies of composition and orchestration with teachers in Brazil and in France. Years later, he dedicated himself to studying the music of Indigenous communities, even residing for some months with the Yawalapitis, in the Brazilian Center-West.

Gismonti publicly presented one of his compositions for the first time at a music festival in 1968 and already in 1969 released his first record. In the same year he signed his first soundtrack made for cinema, that of the film A Penúltima Donzela (1969), a comedy directed by Fernando Amaral starring Adriana Prieto. Since then, in addition to releasing records regularly, he composed the soundtracks for more than two dozen films and also for a large number of TV series, ballets, and stage plays.

In this vast body of work - which moves from erudite and orchestral music to the jazz trio, passing through various Brazilian popular styles - the works on films such as the documentary Raoni (released in 1978, this film about the important Indigenous leader directed by Jean-Pierre Dutilleux and Luís Carlos Saldanha competed for the Oscar for best documentary of the year), Avaeté – semente da vingança (1985, directed by Zelito Viana) and Kuarup (1989, directed by Ruy Guerra) stand out – soundtracks that stand out for the sonority of instruments of Indigenous origin.

Also memorable was the soundtrack made for the TV series O Pagador de Promessas (1988, directed by Tizuka Yamasaki for Rede Globo), in which Gismonti used classical compositions by Heitor Villa-Lobos – which he had already recreated on the record Trem Caipira, released in 1985, whose recordings were partially used in the series. Also noteworthy is the partnership with the director Ruy Guerra, for whom he composed the music, in addition to the already cited Kuarup, also A Bela Palomera (1988) and Estorvo (2000).

More recently he composed the soundtracks for Tempos de Paz (2009) and Chico Xavier (2010), both directed by Daniel Filho. In addition to those already mentioned, he took part in soundtracks for films from various countries, such as the German Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, directed by Michael Haneke still at the beginning of his career), the Danish Planetens spejle (1992, directed by Jytte Rex) and the Argentine El Viaje (1992, directed by Fernando Solanas).

Gilberto Gil

From the first years of his career to the present day, Gilberto Gil occupies a place of great prominence in Brazilian music and culture. In partnership with Caetano Veloso, he was one of the leaders of Tropicalismo - an avant-garde musical movement of the late 1960s that, seeking to update the anthropophagic utopia of Oswald de Andrade and dialoguing with other avant-garde movements such as Cinema Novo, proposed a new perspective on the relations of Brazilian art with the mass media, the so-called cultural industry. Already at this initial moment of his career Gil became involved with work on soundtracks, composing for films such as Viramundo (1968), by Geraldo Sarno, Balada da Página Três (1969), by Luís Rosemberg Filho, and Brasil Ano 2000 (1969), by Walter Lima Júnior.

Still in late 1968, Gil and Caetano Veloso were arrested, accused by the military regime that commanded the country of having disrespected the Brazilian flag. After having been held in military barracks for about two months and remaining a further four months under house arrest in Salvador, without the right to a civil trial, the duo went into exile in London over the following years. In this period outside the country, Gil and Veloso continued to associate with some of the main filmmakers active in the country, such as the Cinema Novo filmmaker Glauber Rocha and the marginalists Rogério Sganzerla and Julio Bressane. For Sganzerla, using only voice and guitar, Gil made a contagious soundtrack for Copacabana Mon Amour (1970), a production of the legendary company Belair (which, created by Sganzerla and Bressane, shot six feature films in three months) – decades later, the recording of this soundtrack was recovered and released in full.

Gil was also an actor and a character in Corações a Mil (1981), a mix of fiction and a tour documentary made by Jom Tob Azulay. Already internationally acclaimed, Gil composed songs for various films such as Um trem para as estrelas (1987) and Veja esta canção (1994), both by Diegues, and Eu Tu Eles (2000), by Andrucha Waddington, in which his recording of the film’s main song reached the hit charts. Later, Waddington made a documentary entitled Viva São João! (2002) focusing on a trip by Gil through various cities in the Northeast with a show dedicated to recovering old forró songs, a rhythm typical of the region.

Egberto Gismonti

The dialogue between the elements of the so-called popular universe and those of the erudite is constant in the landscape of Brazilian music and has one of its high points in the career of Egberto Gismonti, whose work over the years moved freely among diverse rhythms and styles.

Born into a family of musicians in the year 1947 in the interior of the State of Rio de Janeiro, Gismonti began to study piano at the age of six. Over the course of his trajectory he became a notable multi-instrumentalist both on keyboards and on string instruments (making recordings on six-, eight-, ten-, twelve-, and fourteen-string guitars) and also on various types of flutes and kalimbas. Still young, he deepened his studies of composition and orchestration with teachers in Brazil and in France. Years later, he dedicated himself to studying the music of Indigenous communities, even residing for some months with the Yawalapitis, in the Brazilian Center-West.

Gismonti publicly presented one of his compositions for the first time at a music festival in 1968 and already in 1969 released his first record. In the same year he signed his first soundtrack made for cinema, that of the film A Penúltima Donzela (1969), a comedy directed by Fernando Amaral starring Adriana Prieto. Since then, in addition to releasing records regularly, he composed the soundtracks for more than two dozen films and also for a large number of TV series, ballets, and stage plays.

In this vast body of work - which moves from erudite and orchestral music to the jazz trio, passing through various Brazilian popular styles - the works on films such as the documentary Raoni (released in 1978, this film about the important Indigenous leader directed by Jean-Pierre Dutilleux and Luís Carlos Saldanha competed for the Oscar for best documentary of the year), Avaeté – semente da vingança (1985, directed by Zelito Viana) and Kuarup (1989, directed by Ruy Guerra) stand out – soundtracks that stand out for the sonority of instruments of Indigenous origin.

Also memorable was the soundtrack made for the TV series O Pagador de Promessas (1988, directed by Tizuka Yamasaki for Rede Globo), in which Gismonti used classical compositions by Heitor Villa-Lobos – which he had already recreated on the record Trem Caipira, released in 1985, whose recordings were partially used in the series. Also noteworthy is the partnership with the director Ruy Guerra, for whom he composed the music, in addition to the already cited Kuarup, also A Bela Palomera (1988) and Estorvo (2000).

More recently he composed the soundtracks for Tempos de Paz (2009) and Chico Xavier (2010), both directed by Daniel Filho. In addition to those already mentioned, he took part in soundtracks for films from various countries, such as the German Variation - oder Daß es Utopien gibt, weiß ich selber! (1983, directed by Michael Haneke still at the beginning of his career), the Danish Planetens spejle (1992, directed by Jytte Rex) and the Argentine El Viaje (1992, directed by Fernando Solanas).