
Cinelimite apresenta o projeto Jomard Muniz de Britto: Preservação, Pesquisa e Difusão. Em parceria com Jomard e sua família, a iniciativa busca localizar, preservar, organizar e difundir o acervo do multiartista nordestino Jomard Muniz de Britto. O trabalho envolve a digitalização de mais de 30 filmes em Super-8, obras em vídeo e outros suportes. Além disso, prevê a transferência dos materiais audiovisuais de Jomard para um arquivo que assegure, para além do acesso e da difusão, sua preservação a longo prazo. O propósito central é ampliar o acesso público e qualificado a esse conjunto, fomentar pesquisa e ações educativas, e reconhecer a contribuição essencial de Jomard para a cultura brasileira.
Jomard Muniz de Britto, poeta, cineasta, professor e instigador cultural, é o autor de uma vasta obra que transita entre a literatura, a performance, o cinema Super-8, e vídeo. Figura central da vanguarda tropicalista no fim dos anos 1960, co-assinou o Manifesto Tropicalista — Porque somos e não somos tropicalistas. Integrou a equipe de Paulo Freire e publicou em 1964 o livro Contradições do homem brasileiro, censurado após o golpe. Sofreu perseguição política, foi aposentado compulsoriamente da UFPE e chegou a ser preso.
A partir de meados dos anos 1970, tornou-se voz destacada do circuito Super-8 do Recife e de João Pessoa e colaborou com o grupo Vivencial Diversiones. Dirigiu curtas como O palhaço degolado (1977), Inventário de um feudalismo cultural (1978) e Jogos frutais frugais (1979), entre outros, em que seu gesto permanece experimental, antidogmático e atento a sexualidades dissidentes.
“Jomard Muniz de Britto: Preservação, Pesquisa, e Difusão” começou em 2025 e será concluído em 2026 com uma mostra dedicada à obra de Jomard, acompanhada de exibições públicas, publicação de textos críticos e atividades de difusão de seu acervo.
Mais informações serão divulgadas em breve.