Cinelimite & Canal Thomaz Farkas presents: Viramundo (1965)
"The secret to his permanence is antiquity. He touches the archaic bottom of Brazilian society and each one of us." Thus, in his review of Um Caipira em Bariloche (1973) published on Jornal da Tarde, film critic Paulo Emílio Salles Gomes sought to explain the popularity of Amácio Mazzaropi, and specifically his caipira character.

Even though he is engraved in the collective conscience of Brazilian society as Jeca, Mazzaropi started his film career playing a truck driver in Sai da Frente(1952). In that first phase of his career, he constantly alternated between such urban working class characters of São Paulo City and capira characters from the countryside (which he would play for the first time in Candinho [1953], the following year).

These two angles of Mazzaropi's film work are present in the two films this program consists of, both made via his own production company. Jeca Tatu (1959) is his most classic film, which introduced the character that would be his flagship for the two following decades. O Vendedor de Linguiça (1962) is a comedy of manners centering on a sausage seller who lives in the Brás neighborhood of São Paulo City.

Simple and direct, Mazzaropi's films feature social issues and conflicts which would be - and, oftentimes, are - solved with money. After all, "That which gold can't fix can't be fixed anymore", says one of the songs in Candinho. The stereotype-based comedy is repetitive, many times relying on class and gender prejudices, and emphasizing differences. It reveals Jeca's cruelty and quick-thinking. Political commentary, when it is present, boils down to an accusation of shady interests and voter manipulation.

All this earned Mazzaropi a reputation of alienated, which his contemporary critics never took back. In spite of that, he had a loyal audience, both in the big cities and in the countryside. Nine of the 32 films he starred in are officially in the list of Brazilian films with over one million customers, and there are reasons to believe at least two more would be at the top of that list if it were possible to refine the box office data prior to 1969 - the year Embrafilme was founded -, from which point such statistics started being measured and kept more carefully.

A rare case in a situation of constant financial anguish and dependency on the State, Mazzaropi was business savvy enough to maintain an independent, stable and lucrative production structure which allowed him to even pick the exact release dates of his films in the Brazilian circuit - something unthinkable for other Brazilian filmmakers.

Given the distance of so many decades, it is now possible to measure the contribution of Mazzaropi, this unique phenomenon of Brazilian cinema, without any biases.

Special thanks: Paulo Wences Duarte, Erika Amaral, Rodrigo Curi de Matos, and Luís Costa
"O segredo de sua permanência é a antiguidade. Ele atinge o fundo arcaico da sociedade brasileira e de cada um de nós." Foi assim, na crítica de Um Caipira em Bariloche (1973) publicada no Jornal da Tarde (SP), que o crítico Paulo Emílio Salles Gomes buscou explicar a popularidade de Amácio Mazzaropi, e especificamente da sua persona de caipira.

Apesar de marcado como "Jeca" no consciente coletivo, foi como um caminhoneiro que Mazzaropi estreou no cinema, em Sai da Frente (1952). Na fase inicial de sua carreira cinematográfica, alternou constantemente entre tais tipos urbanos da classe operária da grande São Paulo e o tipo caipira (que já no ano seguinte, com Candinho [1953], interpretaria pela primeira vez no cinema).

Essas duas facetas da obra de Mazzaropi estão presentes nos dois filmes que compõem este programa, ambos feitos via sua própria produtora. Jeca Tatu (1959) é o seu filme mais clássico, aquele que propriamente inaugurou o personagem que seria seu carro-chefe pelas duas décadas seguintes. O Vendedor de Linguiça (1962) é uma comédia de costumes protagonizada por um linguiceiro morador do Brás.

Simplórios e diretos, seus filmes apresentam questões sociais e conflitos que se resolveriam - e, por vezes, se resolvem - com dinheiro. Afinal, "O que ouro não arruma não tem mais arrumação", diz uma das canções de Candinho. A comédia de trejeitos e estereótipos é repetitiva, por vezes se valendo de preconceitos de classe e gênero, pela acentuação das diferenças. Explicita-se a crueldade e a sagacidade do Jeca. A crítica política, quando há, se resume à denúncia do coronelismo, dos interesses escusos dos candidatos e do velho esquema do voto de cabresto.

Tudo isso lhe valeu a pecha de alienado, que sua crítica contemporânea nunca abandonou. Apesar disso, seu público era fiel, das capitais aos interiores. Nove dos 32 filmes que estrelou estão oficialmente na lista das bilheterias do cinema nacional com mais de um milhão de espectadores, e há indícios de que pelo menos mais dois estariam no topo da lista caso fosse possível precisar os dados de bilheteria antes de 1969, ano da fundação da Embrafilme, a partir do qual essas estatísticas foram medidas e preservadas com mais zelo.

Ponto fora da curva num cenário de constante penar financeiro e dependência estatal, Mazzaropi se valeu de seu tino comercial para manter um esquema de produção independente, constante e lucrativo, o que lhe permitia inclusive determinar as datas exatas de lançamento de seus filmes no circuito - algo impensável para outros cineastas brasileiros.

Com o distanciamento de tantas décadas, pode-se agora avaliar a contribuição desse fenômeno único do cinema brasileiro que foi Mazzaropi, sem paixões, sem clubismos.

Agradecimentos especiais: Paulo Wences Duarte, Erika Amaral, Rodrigo Curi de Matos, e Luís Costa
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Cinelimite & Canal Thomaz Farkas presents: Viramundo (1965)
“Carnaval in Rio: 4 Films” is a program dedicated to Brazil’s greatest yearly celebration, carnaval, and its portrayals in Rio de Janeiro-based cinema from the silent era until the 70s. In Brazilian cinema, carnaval takes the role of more than just a celebration - the festival’s rhythms and frenzies inform the cinematographic style and narrative flow of countless films. For this program, we’ve chosen to exhibit four works that showcase how depictions of carnaval have evolved throughout the history of Rio de Janeiro cinema.

Special Thanks: Centro Técnico Audiovisual - CTAv, Guilherme Farkas, The Thomaz Farkas Estate, and Walter Lima Jr.
"Carnaval no Rio: 4 Filmes" é um programa dedicado à maior celebração anual do Brasil, o Carnaval, e seus retratos no cinema carioca desde a era muda até os anos 70. No cinema brasileiro, o carnaval assume papel maior que o de uma simples celebração - os ritmos e o frenesi próprios da festa dão forma ao estilo cinematográfico e ao fluxo narrativo de inúmeros filmes. Para este programa, decidimos exibir quatro obras que mostram como as representações do carnaval evoluíram ao longo da história do cinema carioca.

Agradecimentos especiais: Centro Técnico Audiovisual - CTAv, Guilherme Farkas, Herdeiros de Thomaz Farkas, e Walter Lima Jr.
Cinelimite & Canal Thomaz Farkas presents: Viramundo (1965)
"It is, therefore, in the midst of this feminine universe that we understand Helena Solberg and her role in Brazilian cinema. In good company, surrounded by different generations and noises. Someone who was not limited to a single menu - Cinema Novo. Even because cinema is only a part of the mission she took on: that of breaking her own mirror." - Andrea Ormond

Helena Solberg's illustrious career as a globetrotting documentary filmmaker began in her home country of Brazil with two short films, A Entrevista (1966) and Meio-Dia (1970). At the time they were made, these films went mostly under the radar, generating some buzz in newspapers and at festivals but rarely receiving exhibition and becoming overshadowed by the feature-length films of the Cinema Novo movement. But today, A Entrevista and Meio-Dia are being newly embraced by an upcoming generation of filmmakers, critics, and scholars as among the greatest Brazilian short films of all time. A Entrevista is now widely seen as one of the pioneering feminist Brazilian films for its boldness in opening up discussions related to marriage, sex, virginity, fidelity, happiness, work, and the social roles that are imposed on women. Meio-Dia, in its own right, is considered to be one of the great political films of the military dictatorship period in Brazil, paying homage to Jean Vigo's Zero for Conduct (1933) through the story of a children uprising at a day-school in São Paulo.

Our goal with this program is to exclusively highlight Solberg's early Brazilian work, made right before she would leave to the U.S. (where she subsequently stayed and worked for decades). This isolated but extraordinarily rich creative period for the director saw her breaking down barriers for women within a male-dominated Brazilian film industry and bringing a uniquely feminist vision to Brazilian theater screens. The inspiration behind the title "Breaking Mirrors" was a line (quoted above) in film scholar Andrea Ormond's text to be published in this program: "Helena Solberg: Between the Marias, the Aleph, and the Counterculture". Ormond's text highlights the multiplicity of Solberg - someone who looked internally to confront the stigmas surrounding women in Brazil and who looked outwardly towards a fractured society under military rule and noticed the need for revolutionary struggle.  If the mirror through which Brazil viewed itself in the 60s and 70s reflected a unified vision of a country, Solberg’s work split that mirror into pieces, revealing a place fractured in terms of its political and social stability, and in its self-conception as inherently moralistic.

Special Thanks: David Meyer & Helena Solberg
"É, portanto, no meio desse universo feminino que entendemos Helena Solberg e o seu papel no cinema brasileiro. Em boa companhia, cercada degerações e ruídos diferentes. Alguém que não se resume a um cardápio único – o Cinema Novo. Até porque o cinema é apenas uma peça na missão que ela encarou: ade quebrar o próprio espelho." - Andrea Ormond

A ilustre carreira de Helena Solberg como cineasta internacional começou em seu país natal, Brasil, com dois curtas-metragens, A Entrevista (1966) e Meio-Dia (1970). Na época em que foram feitos, estes filmes passaram despercebidos, gerando algum burburinho nos jornais e em festivais, mas raramente sendo exibidos e ficando ofuscados pelos longas-metragens do movimento Cinema Novo. Mas hoje, A Entrevista e Meio-Dia estão sendo abraçados por uma nova geração de cineastas, críticos e acadêmicos como alguns dos maiores curtas-metragens brasileiros de todos os tempos. A Entrevista é amplamente visto como um dos filmes brasileiros feministas pioneiros por sua ousadia em abrir discussões relacionadas ao casamento, sexo, virgindade, fidelidade, felicidade, trabalho e os papéis sociais que são impostos às mulheres. Meio-Dia é considerado um dos grandes filmes políticos do período da ditadura militar no Brasil, prestando homenagem a Zero em Comportamento (1933) de Jean Vigo através da história de uma revolta infantil em uma escola em São Paulo.

Nosso objetivo com este programa é destacar com exclusividade o trabalho inicial de Solberg, feito antes que ela partisse para os EUA (onde ela posteriormente permaneceu e trabalhou por décadas). Foi um período criativo isolado, mas extraordinariamente rico para a diretora, no qual quebrou barreiras para as mulheres dentro de uma indústria cinematográfica brasileira dominada por homens e trouxe uma visão exclusivamente feminista às telas do cinema brasileiro. A inspiração por trás do título "Quebrando Espelhos" foi uma frase (citada acima) no texto da pesquisadora de cinema Andrea Ormond, a ser publicado neste programa: "Helena Solberg: Entre as Marias, o Aleph, e a Contracultura". O texto de Ormond destaca a multiplicidade de Solberg - alguém que olhou internamente para enfrentar os estigmas que cercam as mulheres no Brasil e que olhou externamente para uma sociedade fraturada e isolada sob o domínio militar, e percebeu a necessidade de uma luta revolucionária.  Se o espelho através do qual o Brasil se viu nos anos 60 e 70 refletia uma visão unificada de um país, o trabalho de Solberg o partiu em pedaços, revelando um país fraturado tanto em termos de sua estabilidade política e social, quanto em sua auto-concepção como inerentemente moralista.

Agradecimentos especiais: David Meyer & Helena Solberg
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Cinelimite & Canal Thomaz Farkas presents: Viramundo (1965)
Mouths Don't Say Everything: Three Decades of LGBTQ+ Cinema showcases three groundbreaking Brazilian LGBTQ+ films that were produced in the 1960s, 1970s, and 1980s. Environments, dialogues, songs, lights, death, and resistance: Brazilian LGBTQ+ cinema had a long way to go before it could call itself as such. The queer characters represented in the repertoire of Brazilian cinema went through several phases of representation before their problems stopped being nuances and could be fully highlighted. In our curatorship, we intend to bring to light the short film

Um Clássico, Dois em Casa, Nenhum Jogo Fora, produced in 1968, which marked the history of Brazil with the decree of the fifth Institutional Act of the Military Dictatorship, considered one of the most repressive in 21 years of the regime. A Rainha Diaba (1974), the second feature directed by Antônio Carlos da Fontoura, is based on the transgressor figure of Madame Satã: a black, homosexual, and poor man who builds his fame anchored in the marginal Carioca duality in the first half of the 20th century. Lastly, Vera (1987), winner of the Silver Bear at the Berlinale, a pioneering portrait of transsexuality in Brazilian cinema that debates the differences between gender and sexuality: "Call me Bauer!" was all that the title character of director Sérgio Toledo's debut feature asked for.

The title chosen for our program was taken from a review of A Rainha Diaba, published in Manchete magazine in 1974.
As Bocas Não Falam Tudo: Três Décadas de Cinema LGBTQ+ exibe três filmes pioneiros que foram produzidos nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Ambientes, diálogos, canções, luzes, mortes e resistência: o cinema LGBTQ+ brasileiro teve um longo caminho a percorrer antes de conseguir chamar a si mesmo como tal. As personagens apresentadas no repertório do cinema brasileiro passaram por várias fases de representação antes que os seus problemas deixassem de ser nuances e pudessem ser plenamente destacados. Em nossa curadoria, pretendemos trazer à tona o curta-metragem

Um Clássico, Dois em Casa, Nenhum Jogo Fora, produzido em 1968, que marcou a história do Brasil com o decreto do quinto Ato Institucional da Ditadura Militar, considerado um dos mais repressivos em 21 anos do regime. A Rainha Diaba (1974), segundo longa dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, que mergulha na marginalidade da figura transgressora de Madame Satã: um homem negro, homossexual e pobre que constrói sua fama ancorado na dualidade marginal carioca da primeira metade do século XX. E Vera (1987), vencedor do Urso de Prata no Berlinale, um retrato pioneiro da transexualidade no cinema brasileiro que debate as diferenças entre gênero e sexualidade. " Me chame de Bauer!" é tudo o que o personagem de título do longa de estreia do diretor Sérgio Toledo desejava. O título escolhido para a nossa programação veio de uma crítica de

A Rainha Diaba, publicada na revista Manchete, em 1974.--Special thanks/Agradecimentos especiais: Matheus Pestana, Rita Buzzar, Nexus Cinema, The Department of Cinema, Radio and Television at the University of São Paulo, and Antonio Carlos da Fontoura.Program dedication/Programa dedicado a: Antônio Moreno
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Cinelimite & Canal Thomaz Farkas presents: Viramundo (1965)
Cinelimite, Cinemateca da Bahia, and Spectacle Theater are proud to present, "Você Acredita em Cinema na Bahia? – The Cinema of Salvador (1953-1961)". Our program, the first international collaboration between the state film archive of Bahia and North American organizations, is dedicated to showcasing the richness of Bahian cinema during one of its most effervescent periods.

In the 1950s, the city of Salvador, Bahia, was in a state of cultural effervescence. For the first half of that decade, Alexandre Robatto Filho - virtually the only filmmaker in the state with a steady career - refined his filmmaking skills as he transitioned from newsreels to more aesthetically ambitious documentary shorts. Meanwhile, film critic Walter da Silveira founded the Clube de Cinema da Bahia, where classic and avant-garde European films were shown and discussed, influencing a generation of future film professionals. Among those young men were Glauber Rocha, Roberto Pires and Luiz Paulino dos Santos. Both the past masters and the young independents shared a passion for film and an interest in social themes which permeates their work. Inventive and eager to experiment, these individuals would shape the history of Brazilian cinema in the following decades, in congruence with other young filmmakers who were starting to shift away from the studio-era style of production that was still prevalent in the southeastern states of Rio de Janeiro and São Paulo. Throughout the decade, Salvador would witness the evolution of its filmmaking, from Robatto's documentaries to the first Bahian feature film, Roberto Pires’ Redenção (1959). Around 1957, when the production of Redenção began, a new wave of Bahian filmmakers and film enthusiasts would graffiti the walls around Salvador with the question "Você acredita em cinema na Bahia?" [Do you believe in cinema in Bahia?]. It served as a provocation as much as a call of attention to the difficulties they were facing. Rocha's and Pires' feature films of the time would be considered landmarks of the incipient CinemaNovo movement and would firmly place Bahia on the cinematographic map in Brazil.

Program partners: Fundação Cultural da Bahia, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Governo da Bahia, and Diretoria de Audiovisual - FUNCEB

May 25th - July 15th 2022

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Special thanks: Petrus Pires, Johnny Bee Good, Sonia Robatto, Paloma Rocha, Inajara Diz Santos, Menderson Correia Bulcão, Talis Cícero Castro Miranda Menezes, Jamile Menezes de Almeida Santos, Evandro O. Leite, Francisco Paulino dos Santos, and Isaac Hoff.
A Cinelimite, O Spectacle Theater, e a Cinemateca da Bahia têm o orgulho de apresentar, "Você Acredita em Cinema na Bahia? - O Cinema do Salvador (1953-1961)". Nosso programa, a primeira colaboração internacional entre o arquivo cinematográfico estadual da Bahia e organizações norte-americanas, é dedicado a mostrar a riqueza do cinema baiano durante um de seus períodos mais efervescentes. 

Na década de 1950, Salvador passava por uma efervescência cultural. Na primeira metade da década, Alexandre Robatto Filho - praticamente o único cineasta do estado com uma carreira constante - refinava suas habilidades ao progredir de cinejornais para curtas documentais mais ambiciosos esteticamente. Ao mesmo tempo, o crítico Walter da Silveira fundava o Clube de Cinema da Bahia, onde filmes europeus clássicos e de vanguarda eram exibidos e discutidos, influenciando uma geração de futuros profissionais do cinema, entre os quais Glauber Rocha, Roberto Pires e Luiz Paulino dos Santos. Tanto os veteranos como os novatos tinham paixão pelo cinema e interesse em causas sociais que se mostrava em suas obras. Inventivos e com vontade de experimentar, essas pessoas entrariam para a história do cinema brasileiro nas décadas seguintes, juntamente com jovens cineastas de outros estados que se distanciavam do estilo de produção da era dos estúdios que prevalecia no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ao longo da década, Salvador veria a evolução de seu cinema, desde os curtas de Robatto até o primeiro longa baiano: Redenção (1959). Em 1957, quando Redenção começava a ser feito, um grupo de cineastas e entusiastas pichava os muros da cidade com a frase "Você acredita em cinema na Bahia?", que servia como provocação tanto quanto chamava a atenção para as dificuldades que enfrentavam. Os longas de Glauber Rocha e Roberto Pires feitos na época viriam a ser considerados marcos do incipiente Cinema Novo. 

Parceiros do programa: Fundação Cultural da Bahia, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Governo da Bahia, and Diretoria de Audiovisual - FUNCEB

25 de maio - 15 de julho de 2022

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Agradecimentos especiais: Petrus Pires, Johnny Bee Good, Sonia Robatto, Paloma Rocha, Inajara Diz Santos, Menderson Correia Bulcão, Talis Cícero Castro Miranda Menezes, Jamile Menezes de Almeida Santos, Evandro O. Leite, Francisco Paulino dos Santos, and Isaac Hoff.
Films / Filmes
Cinelimite & Canal Thomaz Farkas presents: Viramundo (1965)
In honor of the reopening of São Paulo's Cinemateca Brasileira, Cinelimite is thrilled to partner with Heço Productionsand ABPA (Brazilian Association of Audiovisual Preservationto present Ozualdo Candeias's Cinemateca Brasileira, a 1993 documentary about the institution during its move to its current headquarters in Vila Clementino. During the year long closure of the Cinemateca Brasileira, this documentary served as a symbol of the vital role it plays in preserving Brazilian audiovisual heritage and a reminder that it has faced grave challenges in its past. With its poetic tone, attention to detail about the preservation process, and a beautiful script by the great film archivist and scholar Carlos Roberto de Souza, Cinemateca Brasileira is a documentary that will remain relevant and necessary as we continue to hope that Latin America's most vital archival institution has brighter days ahead.
Em honra da reabertura da Cinemateca Brasileira, de São Paulo, a Cinelimite está entusiasmada com a parceria da Heço Productions e da ABPA (Associação Brasileira de Preservação Audiovisual) para apresentar “Cinemateca Brasileira” de Ozualdo Candeias, um documentário de 1993 sobre a instituição, durante a mudança para a sua atual sede na Vila Clementino. Durante o longo ano de interrupção das atividades da Cinemateca Brasileira, este documentário serviu como símbolo do papel vital que a instituição desempenha na preservação do património audiovisual brasileiro e um lembrete de que enfrentou graves desafios no seu passado. Com o seu tom poético, a atenção aos detalhes sobre o processo de preservação, e um belo roteiro do grande arquivista e acadêmico de cinema Carlos Roberto de Souza, “Cinemateca Brasileira” é um documentário que permanecerá relevante e necessário, pois continuamos a esperar que a instituição de arquivo mais vital da América Latina tenha dias mais brilhantes pela frente.
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Cinelimite & Canal Thomaz Farkas presents: Viramundo (1965)
Geraldo Sarno's Viramundo (1965) is a landmark documentary in Brazilian cinema. The film is a pioneering look at the rural exodus from the Northeast towards the large urban centers - specifically the city of São Paulo. Not by accident, it opens with an image of the painting Retirantes, a work by Cândido Portinari, made in 1944. This is perhaps the most famous Brazilian visual representation of the scourge of hunger and misery that pulls the northeasterners from the countryside to the big urban centers, from the northeast to the southeast. And it is precisely on the arrival of these migrants in São Paulo that the film begins. Through direct sound interviews, we learn the reasons that impelled Northeasterners to migrate south. At the same time, we see what keeps them trapped in misery: low salaries, layoffs, and lack of qualifications. We witness their daily lives, their religious activity, their toils… And, forming a cycle, the film ends with one of the migrants returning to his hometown to once again work in agriculture while new Northeastern migrants disembark at the São Paulo station.

Viramundo is a sociological study about a phenomenon that runs through the modern history of Brazil. Viramundo was also one of the inaugural films of the Caravana Farkas, which, along with Paulo Gil Soares' Memória do Cangaço, Manuel Horácio Gimenez' Nossa Escola de Samba and Maurice Capovilla's Subterrâneos do Futebol, composed the feature film Brasil Verdade, released in 1966.

August 5th-18th
Viramundo (1965), de Geraldo Sarno, é um marco no documentário brasileiro. Pioneiro no tema, o filme trata do êxodo rural nordestino em direção aos grandes centros urbanos - especificamente a cidade de São Paulo. Não à toa, ele abre com a imagem da pintura Retirantes, obra de Cândido Portinari feita em 1944. Esta é talvez a mais famosa representação visual brasileira do flagelo da fome e da miséria que tangem o nordestino da zona rural para os grandes centros urbanos, do nordeste para o sudeste. E é justamente na chegada desses migrantes a São Paulo que o filme começa. Em entrevistas feitas em som direto, ficamos sabendo de algumas razões que os impeliram à migração. Ao mesmo tempo, vamos vendo os motivos que os mantêm presos à miséria: baixos salários, demissões, falta de qualificação. Tomamos contato com o cotidiano, a religiosidade e as agruras desses migrantes… E assim, de forma cíclica, o filme se encerra com um deles voltando para sua terra natal para tornar a trabalhar no campo enquanto novos migrantes nordestinos desembarcam na estação.

É um estudo sociológico acerca de um fenômeno que atravessa a história moderna do Brasil. Além disso, Viramundo foi um dos filmes inaugurais da Caravana Farkas, vindo a compor - em conjunto com Memória do Cangaço, de Paulo Gil Soares, Nossa Escola de Samba, de Manuel Horácio Gimenez e Subterrâneos do Futebol, de Maurice Capovilla - o longa-metragem Brasil Verdade, lançado em 1966.

5-18 de agosto
Cinelimite & Canal Thomaz Farkas presents: Viramundo (1965)
Coming Soon
Em Breve