A Cinelimite apresenta uma nova cópia em 4K de Aruanda (1960), marco do cinema paraibano dirigido por Linduarte Noronha. De 2 a 13 de novembro, o filme poderá ser assistido gratuitamente, acompanhado de um breve texto do cineasta paraibano Bertrand Lira.

Filmado na comunidade quilombola da Serra do Talhado, em Santa Luzia, Aruanda acompanha o trabalho das louceiras, cuja produção ajuda a sustentar as famílias do lugar. O barro é recolhido, moldado e queimado; as peças seguem em lombo de jumento para a feira, onde são vendidas para comprar mantimentos. Os moradores também participam da reconstituição da chegada de Zé Bento e sua família à região, no século XIX.

Noronha já havia fotografado as louceiras para uma reportagem publicada no jornal A União na década de 1950. Para realizar o filme, reuniu uma pequena equipe com Rucker Vieira na fotografia e na montagem e Vladimir Carvalho e João Ramiro Mello na assistência de direção. Aruanda chamou a atenção de críticos e cineastas como Glauber Rocha, tornando-se uma referência para o Cinema Novo. A fotografia de Vieira deu à luz intensa do sertão um lugar de destaque na história do cinema brasileiro.

A nova cópia foi digitalizada a partir de um positivo de 35 mm preservado pelo Centro Técnico Audiovisual (CTAv), no Rio de Janeiro. O trabalho não constitui uma restauração integral. Nossa intenção é trazer para a exibição digital algo da experiência de assistir a uma bela cópia em película numa sala de cinema. A resolução 4K permite perceber com maior nitidez o trabalho de Rucker Vieira e oferece uma nova oportunidade de apreciar este clássico do cinema brasileiro.

Cinelimite presents a new 4K copy of Aruanda (1960), Linduarte Noronha’s landmark of Paraíban cinema. From November 2 to 13, the film will be available to watch free of charge, accompanied by a short essay by Paraíban filmmaker Bertrand Lira.

Filmed in the quilombola community of Serra do Talhado, in Santa Luzia, Aruanda follows the women potters whose work helps support local families. Clay is gathered, shaped, and fired; the finished pieces are carried by donkey to the market, where their sale pays for food. Residents also take part in a reconstruction of Zé Bento and his family’s arrival in the region in the nineteenth century.

Noronha had previously photographed the potters for a report published in the newspaper A União in the 1950s. To make the film, he assembled a small crew, with Rucker Vieira handling cinematography and editing and Vladimir Carvalho and João Ramiro Mello serving as assistant directors. Aruanda attracted the attention of critics and filmmakers such as Glauber Rocha, becoming a key reference for Cinema Novo. Vieira’s handling of the sertão’s intense sunlight left a lasting mark on Brazilian cinematography.

The new copy was digitized from a 35mm positive print preserved by the Centro Técnico Audiovisual (CTAv) in Rio de Janeiro. This is not a full restoration. Our aim is to bring to the digital presentation something of the experience of watching a beautiful film print projected in a cinema. The 4K resolution allows viewers to appreciate Vieira’s cinematography in greater detail and offers a fresh opportunity to discover this classic of Brazilian cinema.

Agradecimentos especiais: Centro Técnico Audiovisual (CTAv), no Rio de Janeiro, Pedro Vidal e Bertrand Lira.

Aruanda (1960)
de Linduarte Noronha
Em Aruanda (1960), Linduarte Noronha reconstitui a chegada de Zé Bento e sua família à Serra do Talhado, no sertão paraibano. Entre o cultivo da terra e a cerâmica produzida pelas mulheres, o filme acompanha o cotidiano de seus descendentes, revelando os saberes que sustentam a comunidade diante da pobreza e do abandono pelo poder público. Um marco precursor do Cinema Novo.