Maurice Capovilla se incluiu na tendência (trans-)nacional dos anos 1960/1970 do filme underground alegórico com seu segundo longa-metragem. Utilizando a já icônica imagem de José Mojica Marins - numa rara aparição em que não interpretava Zé de Caixão - Capovila conta a história de um faquir cuja capacidade de passar fome começa a atrair tanto o zelo religioso quanto a atenção geral da população brasileira, fazendo uma crítica do consumo da mídia nacional e do colonialismo cultural. Após a crítica iniciada com Bebel, Garota Propaganda, Capovilla reúne elementos do folclore do cangaço, da paisagem rural e movimentos surrealistas de câmera para compor um filme cuja complexidade se faz aparente e surpreende o espectador perspicaz. Comparado ao trabalho de alguns de seus compatriotas, O Profeta da Fome teve uma chance melhor na avaliação internacional do que outras obras do chamado Cinema Marginal, por participar do 20º Festival de Berlim (onde foi indicado para o Urso de Ouro), mas pensamos que o legado de Maurice Capovilla ainda é subestimado, algo que esperamos mudar minimamente com esta exibição.

Maurice Capovilla was able to lay claim to the (trans-)national 1960s/1970s trend of allegorical underground film with this, his second feature. Utilizing the already iconic visage of Jose Mojica Marins — in a rare appearance removed from the Zé de Caixão persona —Capovilla extends this tale of a fakir whose ability to starve himself begins to draw both the religious zeal and general attention of Brazil’s population to a statement on national media consumption and cultural colonialism . Following the critique begun with Bebel, Garota Propaganda, Capovila corrals elements of northeastern folklore, rural landscape, and surrealistic camera movement to deliver a film whose complexity both makes itself known and surprises the discerning viewer. Compared to the work of some of his compatriots, O Profeta da Fome got a better chance at international appraisal than other works of what we refer to as Cinema Marginal, with its entrance into the 20th Berlin Film Festival (where it was nominated for the Golden Bear), but we find that Maurice Capovilla’s legacy is still underserved, something we hope to provide a small corrective to with this showing.

O Profeta da Fome (1970)
Dirigido por Maurice Capovilla
Em seu segundo longa, Maurice Capovilla se insere na tendência (trans-)nacional dos anos 1960 e 1970 do filme underground alegórico. Com José Mojica Marins numa rara aparição fora do Zé do Caixão, O Profeta da Fome acompanha um faquir cujo jejum vira espetáculo, atraindo devoção e atenção pública, numa crítica ao consumo da mídia e ao colonialismo cultural. Reunindo referências ao cangaço, à paisagem rural e a movimentos surrealistas de câmera, o filme revela uma complexidade que recompensa o olhar atento. Exibido no 20º Festival de Berlim e indicado ao Urso de Ouro, segue sendo prova de um legado ainda subestimado de Capovilla.