"Carnaval no Rio: 4 Filmes" é um programa dedicado à maior celebração anual do Brasil, o Carnaval, e seus retratos no cinema carioca desde a era muda até os anos 70. No cinema brasileiro, o carnaval assume papel maior que o de uma simples celebração - os ritmos e o frenesi próprios da festa dão forma ao estilo cinematográfico e ao fluxo narrativo de inúmeros filmes. Para este programa, decidimos exibir quatro obras que mostram como as representações do carnaval evoluíram ao longo da história do cinema carioca.

“Carnaval in Rio: 4 Films” is a program dedicated to Brazil’s greatest yearly celebration, carnaval, and its portrayals in Rio de Janeiro-based cinema from the silent era until the 70s. In Brazilian cinema, carnaval takes the role of more than just a celebration - the festival’s rhythms and frenzies inform the cinematographic style and narrative flow of countless films. For this program, we’ve chosen to exhibit four works that showcase how depictions of carnaval have evolved throughout the history of Rio de Janeiro cinema.

Agradecimentos especiais: Centro Técnico Audiovisual - CTAv, Guilherme Farkas, Herdeiros de Thomaz Farkas, e Walter Lima Jr.

O Que Foi o Carnaval de 1920 (1920)
Dirigido por Alberto Botelho
Cem anos atrás, o cineasta Alberto Botelho filmava O que foi o Carnaval de 1920!. Nas imagens do cinejornal, podemos observar aspectos do carnaval no Rio de Janeiro do início do século XX, como o corso na Av. Central (atual Av. Rio Branco) e Av. Beira-Mar onde pessoas desfilam em carros decorados. O desfile das sociedades carnavalescas dos Fenianos e dos Democráticos é formado por pessoas da alta sociedade brasileira, que saem em cortejo nas ruas com fantasias luxuosas. O baile à fantasia no Hotel de Santa Rita e o baile infantil do Theatro República, considerado na época como maior teatro do Brasil.
Carnaval no Fogo (1949)
Dirigido por Watson Macedo
Carnaval no Fogo, de Watson Macedo, entra no programa por um motivo decisivo: cristalizou a fórmula da chanchada, o musical carnavalesco carioca, com personagens tipo, tramas de troca e um enredo em que mocinho e mocinha se complicam, o cômico tenta protegê-los, o vilão leva vantagem e acaba derrotado. Como manda o gênero, há números musicais pensados para emplacar no carnaval, como Balzaquiana (Nássara e Wilson Batista) e Meu Brotinho e Me deixe em paz (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira). A cópia disponível tem som e imagem precários e ausência de cenas importantes, mas o filme segue sendo uma chave divertida para entender a permanência e o sucesso da chanchada no cinema brasileiro.
Nossa Escola de Samba (1965
Dirigido por Manuel Horácio Gimenez
Nossa Escola de Samba acompanha um ano de preparação para o desfile da Unidos de Vila Isabel e se estrutura a partir dos depoimentos de Antônio Fernandes da Silveira, o China, sócio-fundador da agremiação, cuja voz conduz o filme em narração em off. A câmera de Gimenez entra no cotidiano do morro do Pau da Bandeira e usa a comunidade como microcosmo para observar como a rotina se transforma com a chegada do carnaval, do trabalho diário ao desfile na Avenida, até o retorno à vida de sempre. Com imagem e som direto, o filme captura com naturalidade os personagens e suas expressões musicais autênticas.
A Lira do Delirio (1978)
Dirigido por Walter Lima Jr.
A Lira do Delírio é um filme carnavalesco feito em absoluta liberdade. Os atores estavam livres para improvisar e alterar diálogos e ações, o trabalho de câmera se moldava às interações dos foliões reais com os atores, passeando pelas ruas da cidade, e a própria montagem do filme foi feita de forma solta, em cinco cortes absolutamente distintos. Havia várias tramas, protagonizadas por personagens diferentes, que poderiam ou não se tornar a principal. Um acontecimento definitivo para o corte final foi a morte da atriz Anecy Rocha, esposa do diretor, num acidente de elevador. E livre também é a forma que o espectador lida com o filme. Como disse o cineasta Walter Lima Jr. em entrevista: “Eu achava que de tal forma o espectador se sentiria livre diante do filme que podia remexê-lo como quisesse. Ele poderá explicar tudo o que se passa na tela até conforme o seu humor.”