A Cinelimite, O Spectacle Theater, e a Cinemateca da Bahia têm o orgulho de apresentar, "Você Acredita em Cinema na Bahia? - O Cinema do Salvador (1953-1961)". Nosso programa, a primeira colaboração internacional entre o arquivo cinematográfico estadual da Bahia e organizações norte-americanas, é dedicado a mostrar a riqueza do cinema baiano durante um de seus períodos mais efervescentes.

Na década de 1950, Salvador passava por uma efervescência cultural. Na primeira metade da década, Alexandre Robatto Filho - praticamente o único cineasta do estado com uma carreira constante - refinava suas habilidades ao progredir de cinejornais para curtas documentais mais ambiciosos esteticamente. Ao mesmo tempo, o crítico Walter da Silveira fundava o Clube de Cinema da Bahia, onde filmes europeus clássicos e de vanguarda eram exibidos e discutidos, influenciando uma geração de futuros profissionais do cinema, entre os quais Glauber Rocha, Roberto Pires e Luiz Paulino dos Santos. Tanto os veteranos como os novatos tinham paixão pelo cinema e interesse em causas sociais que se mostrava em suas obras. Inventivos e com vontade de experimentar, essas pessoas entrariam para a história do cinema brasileiro nas décadas seguintes, juntamente com jovens cineastas de outros estados que se distanciavam do estilo de produção da era dos estúdios que prevalecia no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ao longo da década, Salvador veria a evolução de seu cinema, desde os curtas de Robatto até o primeiro longa baiano: Redenção (1959). Em 1957, quando Redenção começava a ser feito, um grupo de cineastas e entusiastas pichava os muros da cidade com a frase "Você acredita em cinema na Bahia?", que servia como provocação tanto quanto chamava a atenção para as dificuldades que enfrentavam. Os longas de Glauber Rocha e Roberto Pires feitos na época viriam a ser considerados marcos do incipiente Cinema Novo.

Cinelimite, Cinemateca da Bahia, and Spectacle Theater are proud to present, "Você Acredita em Cinema na Bahia? – The Cinema of Salvador (1953-1961)". Our program, the first international collaboration between the state film archive of Bahia and North American organizations, is dedicated to showcasing the richness of Bahian cinema during one of its most effervescent periods.In the 1950s, the city of Salvador, Bahia, was in a state of cultural effervescence. For the first half of that decade, Alexandre Robatto Filho - virtually the only filmmaker in the state with a steady career - refined his filmmaking skills as he transitioned from newsreels to more aesthetically ambitious documentary shorts. Meanwhile, film critic Walter da Silveira founded the Clube de Cinema da Bahia, where classic and avant-garde European films were shown and discussed, influencing a generation of future film professionals. Among those young men were Glauber Rocha, Roberto Pires and Luiz Paulino dos Santos. Both the past masters and the young independents shared a passion for film and an interest in social themes which permeates their work. Inventive and eager to experiment, these individuals would shape the history of Brazilian cinema in the following decades, in congruence with other young filmmakers who were starting to shift away from the studio-era style of production that was still prevalent in the southeastern states of Rio de Janeiro and São Paulo. Throughout the decade, Salvador would witness the evolution of its filmmaking, from Robatto's documentaries to the first Bahian feature film, Roberto Pires’ Redenção (1959). Around 1957, when the production of Redenção began, a new wave of Bahian filmmakers and film enthusiasts would graffiti the walls around Salvador with the question "Você acredita em cinema na Bahia?" [Do you believe in cinema in Bahia?]. It served as a provocation as much as a call of attention to the difficulties they were facing. Rocha's and Pires' feature films of the time would be considered landmarks of the incipient Cinema Novo movement and would firmly place Bahia on the cinematographic map in Brazil.

Agradecimentos especiais: Petrus Pires, Johnny Bee Good, Sonia Robatto, Paloma Rocha, Inajara Diz Santos, Menderson Correia Bulcão, Talis Cícero Castro Miranda Menezes, Jamile Menezes de Almeida Santos, Evandro O. Leite, Francisco Paulino dos Santos, and Isaac Hoff.

Entre o Mar e o Tendal (195)
Dirigido por Alexandre Robatto Filho
O cirurgião-dentista Alexandre Robatto Filho já filmava curtas-metragens documentais em Salvador desde os anos 1930, mas foi com Entre o Mar e o Tendal que refinou seu estilo. Filmado nas praias de Chega Nego e Carimbamba, o curta-metragem retrata o dia-a-dia de trabalho da comunidade de pescadores de xaréu.
Vadiação (1954)
Dirigido por Alexandre Robatto Filho
Centrado no universo da capoeira, Vadiação foi filmado a partir de storyboards desenhados pelo artista plástico Carybé. Com uma trilha sonora que registra os cantos e toques de berimbau típicos da prática da capoeira, o filme ilustra a evolução dessa luta que é, ao mesmo tempo, dança.
Redenção (1959)
Dirigido por Roberto Pires
O longa de estreia de Roberto Pires, Redenção, é um filme noir desesperado que lida com a pressão psicológica do crime e do castigo. Considerado o primeiro filme brasileiro em cinemascope, Redenção faz uso da lente caseira Igluscope, fabricada pelo próprio Pires na ótica do pai. O filme sabe aproveitar bem o formato widescreen, e transcorre como um delírio lento, percorrendo a orla de Salvador enquanto a notícia de um sinistro assassinato chega pelo rádio do carro.
Pátio (1959)
Dirigido por Glauber Rocha
O filme de estreia de Glauber Rocha, o curta-metragem Pátio, filmado em 1959 com as sobras de filme virgem de Redenção, é um experimento à la Buñuel sobre um homem e uma mulher que se movimentam sobre um tablado xadrez, rolando no chão, se aproximando e se distanciando.
Um Dia na Rampa (1960)
Dirigido por Luiz Paulino dos Santos
Um Dia na Rampa acompanha um dia na rampa do Mercado Modelo, em Salvador, onde atracam os saveiros que chegam do Recôncavo Baiano com produtos para serem comercializados na capital. Costumes tradicionais como a capoeira, o candomblé e outros dão as caras nesse filme feito em 1955.
Bahia de Todos os Santos (1961)
Dirigido por Trigueirinho Neto
Um dos filmes precursores do Cinema Novo, Bahia de Todos os Santos, de Trigueirinho Neto, conta a história de Tônio, um jovem que foge de casa para viver na praia com um bando que vive de pequenos furtos. Quando o bando mata um policial durante uma greve de trabalhadores, eles são forçados a se esconder e passam a pensar em formas de sair da Bahia para não serem presos.